Florianópolis recebe seminário de inovação em segurança pública
Entre os dias 17 e 19 de novembro, Florianópolis se transforma em palco de um dos eventos mais importantes do país no setor de tecnologia: a 7ª edição do Seminário Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Segurança Pública (SICTI). O seminário ocorre na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina, localizada em Canasvieiras, Florianópolis. A entrada é gratuita, mediante inscrição no site oficial do evento.
Organizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Academia da Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol/SC), o evento reúne pesquisadores, gestores públicos, operadores de segurança e representantes do setor privado para discutir os desafios e as oportunidades de integrar inovação e políticas de segurança.
Segundo Gertrudes Aparecida Dandolini, professora titular do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, o Sicti funciona como um ponto de conexão entre diferentes saberes.
“O Sicti é o fórum onde essas parcerias se encontram. Ele é desenhado para conectar teoria e prática, focando na cocriação de soluções e na coprodução de conhecimento ao reunir pesquisadores e profissionais de segurança pública”, afirma Gertrudes.
O foco central desta edição é a Inteligência Artificial, especialmente a IA generativa e seu papel no fortalecimento das estratégias de ordem e segurança pública. Temas como análise preditiva de crimes, gestão de dados, governança da inovação e parcerias entre academia e setor privado ganham destaque entre os artigos apresentados.
Criado em 2012 pelo professor Luiz Otávio Pimentel, do Departamento de Direito da UFSC, em parceria com a Polícia Militar de Santa Catarina, o Sicti nasceu com o propósito de aproximar a universidade dos profissionais de segurança pública. Desde então, o seminário amplia seu alcance e se consolida como um espaço de diálogo estratégico entre pesquisa e prática.
Nesse contexto de expansão, a Acadepol/SC assume a organização da edição de 2025. Segundo a assessoria, coordenar o evento representa não apenas uma responsabilidade operacional, mas também um compromisso institucional com a inovação. “Pensamos o Sicti a partir de um objetivo muito claro: criar um ambiente onde ciência, tecnologia e a prática dos operadores de segurança realmente possam conversar”, afirma a assessoria.
Entre os destaques desta edição está a participação da professora Patrícia de Sá Freire, que apresenta o tema Inteligência Artificial e Escola de Governo em Rede: o caso da inovação estratégica para a valorização do servidor. Segundo ela, a discussão ultrapassa o uso instrumental da tecnologia e alcança um movimento mais profundo de transformação institucional. “Estamos avançando para um modelo em que a IA não é apenas uma tecnologia de apoio, mas parte de um processo mais amplo de transformação cognitiva e organizacional”, explica.
Com uma programação voltada à inovação e ao futuro da segurança pública, o Sicti 2025 se transforma em um marco do diálogo entre pesquisa, tecnologia e prática institucional. Mais do que apresentar soluções, o evento estimula reflexões e abre caminhos para que a segurança pública brasileira avance de forma ética, integrada e baseada em conhecimento.
Os desafios do crescimento da Inteligência artificial
A inteligência artificial domina as discussões do Sicti não apenas como promessa tecnológica, mas como um ponto sensível de atenção. Entre apresentações acadêmicas, demonstrações de soluções digitais e debates sobre ética, é evidente que o setor de segurança pública vive um momento de transição. O entusiasmo com o potencial da IA convive com preocupações institucionais, riscos operacionais e alertas sobre governança.
Convidado como palestrante, o delegado Emerson Wendt, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e doutor em Direito, destaca que o uso da tecnologia ainda avança de forma limitada. “Eu avalio que ainda estamos navegando de maneira muito rasa na inteligência digital. Dentro da segurança pública precisamos evoluir muito mais”, afirma. Para ele, a tecnologia cresce rapidamente, mas as instituições ainda não acompanham o ritmo com a estrutura necessária.
Wendt também chama atenção para a falta de padronização e controle. “Me preocupa como a IA está sendo utilizada de maneira desenfreada, sem controle, sem procedimentos operacionais padrão no ambiente da segurança pública. Precisamos revisitar isso, revisar e solidificar um uso ético e responsável”, afirma.
A análise sobre os desafios da inteligência artificial também aparece na perspectiva de Diego Bittencourt, formado em Tecnologia da Informação e pós-graduado em Engenharia de Software. Ele destaca que um dos pontos críticos no uso da tecnologia em contextos sensíveis é justamente o risco de distorções nos sistemas. “Um dos maiores desafios é o viés algorítmico, que ocorre quando um sistema aprende padrões distorcidos a partir dos dados que recebeu. Quando isso acontece, o algoritmo pode reforçar desigualdades e discriminações já existentes na sociedade. Isso é preocupante em áreas sensíveis, como segurança pública e seleção profissional.”
As diferentes avaliações reforçam que a inteligência artificial pode transformar a segurança pública brasileira, mas seu uso demanda planejamento, métodos confiáveis e diretrizes éticas que orientem a adoção de novas tecnologias.