Wicked vira referência na cultura nacional
Nesta quinta-feira (20) estreia Wicked: Parte 2, continuação aguardada pelos fãs de teatro musical. A obra adapta o musical de mesmo nome de 2002, da Broadway, que ganhou destaque no Brasil após sua primeira montagem nacional em 2016.
Wicked narra a história da Bruxa Má do Oeste, Elphaba, e da Bruxa Boa do Sul, Glinda, antes dos eventos de O Mágico de Oz. A trama explora como as duas se tornam rivais após iniciarem a faculdade como amigas improváveis, abordando temas como discriminação, preconceito e a complexidade entre o bem e o mal.



O primeiro filme, lançado em 21 de novembro de 2024, arrecadou US$ 163 milhões mundialmente no fim de semana de estreia, segundo a Universal Pictures. Com esse resultado, tornou-se a maior abertura para uma adaptação da Broadway, superando Les Misérables, que havia estreado com US$ 103 milhões.
“Espero que o final me surpreenda, assim como no teatro. Espero músicas impecáveis e que a relação das protagonistas seja tão forte quanto no musical”, afirma Eduarda Warmeling, fã de Wicked. A expectativa dos admiradores é encontrar fidelidade à narrativa original, novas versões das canções já conhecidas e cenas inéditas sobre a amizade de Elphaba e Glinda. “Quero sair do cinema com a sensação de que Wicked ainda tem magia para entregar.”
Escolas de teatro aderem a Wicked
Wicked não se limita aos grandes teatros ou cinemas, escolas de teatro também vêm percebendo o interesse dos jovens em montar o espetáculo. Josiane Tomaz, atriz e professora de teatro, relata que todas as suas oito turmas demonstraram vontade de encenar a história.
No cronograma das aulas, os estudantes escolhem a peça e participam de todo o processo de montagem do espetáculo de fim de semestre. Apesar de Wicked ser a primeira opção, muitas turmas acabaram encenando O Mágico de Oz, por oferecer mais personagens e facilitar a distribuição dos papéis.
“Os filmes influenciam mais que os musicais, especialmente entre as crianças, que muitas vezes não têm acesso a teatro de qualidade ou a musicais”, explica a professora. Para ela, o cinema é uma arte mais democrática, capaz de alcançar um público muito maior e adaptações como Wicked ajudam a aproximar os jovens do universo do teatro musical.


Wicked volta aos palcos do Brasil em nova montagem
A peça Wicked: A história não contada das bruxas de Oz ganhou uma nova montagem em 2025, com Fabi Bang (Glinda) e Mira Ruiz (Elphaba) nos papéis principais. Esta é a terceira temporada brasileira do musical: a primeira ocorreu em 2016 e, em 2023, surgiu sua primeira versão “não-réplica”, adaptada ao contexto nacional.
A temporada atual começou em 20 de março e segue até 21 de dezembro, totalizando mais de 300 sessões.
Giselle Afonso, parte do ensemble, participa do musical pela segunda vez. “Estar em um espetáculo tão grande é realmente um desafio, tanto pela demanda física quanto pela emocional”, afirma.
O palco conta com uma estrutura grandiosa, incluindo até o voo da protagonista sobre o público. A montagem de 2025 também incorpora elementos visuais inspirados no filme.
O sucesso do longa trouxe novos espectadores ao teatro. “A televisão tem um alcance maior no Brasil, então o filme desperta curiosidade e leva muita gente a assistir a peça”, explica Giselle.





Ouça um pouco mais sobre a montagem de Wicked no Brasil:
Wicked ganha vida na dança e conquista o Festival de Joinville
A fama de Wicked não se restringe ao teatro musical, ela também chegou aos palcos da dança. No Festival de Dança de Joinville deste ano, o Estúdio Movimento em Foco, de São Paulo, apresentou a coreografia Além dos Limites, criada especialmente a partir do impacto do filme de 2024.

O coreógrafo Lucas Mendes, fã declarado do musical, conta que sua inspiração veio de Defying Gravity, canção que encerra o primeiro ato da história. Como o grupo já havia sido campeão por dois anos consecutivos, ele viu espaço para ousar novamente: “Havia uma facilidade de adaptar a cena do teatro para a dança”, explica.
Lucas escolheu a música justamente por ela não ter coreografia original, nem no espetáculo, nem no filme, o que lhe deu liberdade criativa. “Usei todas as nuances da música: a orquestra, cada detalhe, cada ‘pinzinho’ que tinha ali.”
A coreografia recebeu nota 9,3, a maior da noite de 23 de julho, garantindo ao grupo o primeiro lugar no Jazz Conjunto Júnior e ainda o Prêmio de Design de Espetáculo.
A recepção foi intensa. O histórico do grupo elevou a expectativa do público assim que o nome foi anunciado. No início, porém, o tema causou estranhamento. Mas tudo mudou quando a coreografia cresceu junto com a música: efeitos especiais, a vassoura descendo, o voo da Elphaba e a troca precisa das luzes transformaram a apresentação. O público foi ao delírio e aplaudiu por um minuto e meio de pé.
Confira aqui um vídeo sobre a coreografia:
A experiência do grupo no Festival de Dança mostra como Wicked continua atravessando linguagens e inspirando novas leituras artísticas, muito além da Broadway e das telas de cinema. A cada adaptação, o musical revela novas camadas, seja nos palcos, no audiovisual ou na dança, e reafirma seu impacto na formação de jovens artistas. Em Joinville, a história das bruxas ganhou novos movimentos, novas emoções e encontrou um público pronto para abraçar essa reinvenção.