Desencontro: evento de brechós em Joinville reúne mais de 80 expositores no Centreventos
Na 6ª edição, tema “Caos Tropical” uniu sustentabilidade, arte e estilo questionando a padronização da moda
Com mais de 80 brechós em Joinville, o evento Desencontro reuniu o público jovem, movimentou a moda sustentável e promoveu o upcycling no Centreventos Edmundo Doubrawa.
Mais de 80 brechós ocuparam o Centreventos Edmundo Doubrawa neste sábado (5) durante o Desencontro, evento de moda sustentável em Joinville que também reuniu skate, gastronomia, flash tattoos, DJs e bandas. Com o tema “Caos Tropical”, a edição reforçou o crescimento dos brechós e da moda circular entre o público jovem da cidade.
Realizado pela Pingo! Estúdio Criativo, o encontro de brechós atrai um público que acredita em um modelo de consumo sustentável sem abrir mão do estilo, além de ser uma alternativa para quem procura espaços culturais e alternativos em Joinville, cidade que, por ser predominantemente industrial, carece desses movimentos.

O que é o Desencontro e por que os brechós em Joinville atraem o público jovem
O estudante João Arthur Schneider, 20 anos, explica que atualmente a moda está muito padronizada e grande parte das pessoas consome nas mesmas lojas de fast fashion. Em contraponto, os brechós, por reunirem diversos estilos, épocas e peças customizadas, tornaram-se a principal escolha de quem busca autenticidade.
“Comecei a comprar roupas de brechó principalmente no ano passado, senti que aqui em Joinville, a moda circular passou de ser ‘comprar roupas baratas’ para ‘comprar roupas com estilo'”, relata João Arthur.
O que é upcycling e como a técnica ganha força nos brechós de Joinville
Para os empreendedores e artistas locais, o evento é uma oportunidade de expor sua curadoria e se conectar com clientes que valorizam o trabalho autoral. O estilista Arthur Lobo, 24 anos, dono da marca Lobo Trajado, confecciona peças em upcycling, processo que reaproveita e transforma materiais que seriam descartados em novos itens de vestuário.
“Comecei a trabalhar com moda sustentável porque algo que eu tinha dificuldade era encontrar roupas com durabilidade boa que não fossem tão caras.”
Para Arthur, o mercado de brechós e moda circular está em plena expansão, e o consumidor está cada vez mais aberto a esse universo. “Eu vejo por mim mesmo, quando eu era criança tinha todo aquele dizer que eram ‘roupas de defunto’, mas hoje fico feliz em ver que os jovens estão bastante antenados em criar coisas diferentes, eles estão vendo que as coisas estão se tornando muito iguais e tentam fugir disso.”

Indústria têxtil, meio ambiente e o crescimento dos brechós no Brasil
A busca por alternativas sustentáveis responde a um cenário ambiental crítico. De acordo com dados da consultoria internacional S2F Partners, especializada em gestão de resíduos e economia circular, o Brasil descarta cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano. Além disso, dados do Parlamento Europeu apontam que a produção têxtil global consome cerca de 93 bilhões de metros cúbicos de água anualmente, o que representa 4% da captação mundial de água doce.
Como resposta a esses impactos, o setor de reutilização ganha força. Segundo o Sebrae, o Brasil conta com cerca de 118 mil brechós ativos, número que cresce a cada ano, só no Estado de São Paulo, são aproximadamente 7 mil lojas de moda circular.
Em Joinville, embora ainda não existam dados oficiais sobre o total de estabelecimentos no segmento, iniciativas como o Desencontro, o Garimpashion e o bazar do Centro Integrado João de Paula demonstram a força desse mercado, atraindo o público jovem e gerando forte engajamento no Instagram. A moda circular deixa de ser apenas uma opção de compra e passa a se consolidar como uma atitude consciente frente aos desafios ambientais.
