Joinville tem 5,1 mil crianças na fila por vaga em CEIs
Prefeitura registra vagas disponíveis na rede credenciada enquanto prepara mudanças no sistema de matrículas para 2027
A Secretaria de Educação (SED) informou que 5,1 mil crianças de 0 a 3 anos ainda aguardam uma vaga em Centros de Educação Infantil (CEIs) de Joinville. Apesar da redução em relação a 2022, quando cerca de 10 mil crianças estavam na fila, o número atual ainda mantém milhares de crianças sem atendimento e famílias à espera de uma vagas. A dimensão da fila fica ainda mais evidente diante das 625 vagas disponíveis na rede credenciada, divulgadas pela Prefeitura em 28 de setembro.
Na mesma data, a Prefeitura informou a pré-classificação de 113 crianças para esses atendimentos. Paranaguamirim, Jardim Paraíso e Aventureiro concentram a maior demanda, segundo a SED.
Em julho deste ano, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) havia identificado 5.565 crianças na fila e 1.611 vagas ociosas na rede municipal e credenciada. O levantamento levou o órgão a recomendar mudanças no sistema de matrículas e na ocupação das vagas disponíveis.
A Prefeitura prepara um novo modelo de matrículas para a Educação Infantil, com previsão de implantação para o ano letivo de 2027. A proposta prevê cadastro simplificado, envio eletrônico de documentos, geolocalização das unidades com vagas disponíveis e divulgação permanente das vagas para ocupação imediata.
Segundo a Secretaria de Educação, os responsáveis poderão selecionar unidades que tenham vagas disponíveis no momento da inscrição, respeitando os critérios territoriais definidos no edital. A proposta busca reorganizar a distribuição das vagas de acordo com a demanda das famílias.
A analista comercial Lucélia Vieira, 24 anos, conta que cadastrou a filha, Analua, para uma vaga em um CEI quando a menina tinha cinco meses, em dezembro de 2025. A filha agora tem um ano e dois meses e ainda não conseguiu uma vaga próxima de casa. Segundo Lucélia, uma vaga chegou a ser oferecida em uma unidade distante de sua residência, o que a levou a realizar um novo cadastro neste ano. “Eu faço home office, então ela fica comigo em casa, mas é bem exaustivo porque faço muitas reuniões. Às vezes minha mãe me ajuda com ela”, explica.
A falta de uma vaga também interfere na rotina profissional de Lucélia. Ela afirma que já precisou adiar ou deixar de participar de reuniões e eventos da empresa por não ter com quem deixar a filha e que, em algumas ocasiões, precisa participar das reuniões com Analua no colo. Para ela, conseguir uma vaga permitiria se concentrar mais no trabalho, aumentar a produtividade e ter mais tempo para as tarefas domésticas.
A fila é organizada atualmente de acordo com a renda familiar, informação registrada no momento do cadastro. O edital também estabelece prioridade para crianças em situações específicas de vulnerabilidade, como aquelas acolhidas institucionalmente, vítimas de violência doméstica, atendidas por programas de assistência social ou acompanhadas por serviços de proteção.
Falta de vagas pode afetar experiências importantes para o desenvolvimento infantil

Para a professora e mestra em Educação pela Univille, Luiza Corrêa Cunha de Souza, a falta de acesso a um CEI pode reduzir as oportunidades de experiências planejadas durante uma fase importante do desenvolvimento infantil. De acordo com ela, “por mais que não seja uma idade obrigatória, é um direito da criança frequentar um espaço educativo, onde ela seja contemplada com cuidado, segurança, estímulos apropriados, entre outros”.
Segundo a especialista, a educação infantil proporciona experiências de convivência, brincadeira, exploração e aprendizagem. Entre 0 e 3 anos, a convivência com outras crianças e adultos contribui para o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e das habilidades sociais e emocionais.
Luiza explica que a expansão da rede precisa vir acompanhada de um planejamento atento à realidade das famílias. Para ela, a organização da oferta deve considerar onde as famílias vivem, a distância até os CEIs, as condições de transporte, os horários de trabalho dos responsáveis e a situação socioeconômica.
“A existência de uma vaga não significa necessariamente que ela seja acessível a quem precisa do atendimento”, reforça.
Além das mudanças no sistema de matrículas, Joinville prevê a ampliação da rede própria. Segundo o MPSC, um Termo de Ajustamento de Conduta prevê a construção de 15 novos CEIs, com potencial para criar pelo menos 9.150 vagas parciais até o segundo semestre de 2027.
Para concorrer às vagas, pais ou responsáveis devem fazer o cadastro no Sistema Eletrônico de Cadastro na Educação Infantil, preencher os dados solicitados e acompanhar as listas de pré-classificação e classificação. Caso a criança seja pré-classificada, é necessário apresentar a documentação exigida dentro do prazo informado pela Prefeitura.
Nota de transparência: esta matéria contou com o apoio de inteligência artificial na organização das informações e na apuração de dados, com revisão da autora.