Inteligência artificial desafia eleições de 2026 com avanço de conteúdos falsos
Circulação de publicações manipuladas nas redes sociais exige mais atenção dos eleitores catarinenses durante a campanha eleitoral.
Levantamento publicado em 2026 pelo Aláfia Lab, um laboratório de pesquisa independente e multidisciplinar focado em política digital, aponta que 43% dos conteúdos gerados por inteligência artificial estão relacionados a temas políticos. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) adotou ações midiáticas para orientar a população a reconhecer essas publicações falsas.
O uso de inteligência artificial é um dos principais desafios das eleições de 2026. A tecnologia permite criar e modificar vídeos, imagens, áudios e textos com aparência realista, ampliando o risco de conteúdos falsos ou manipulados serem utilizados para influenciar a opinião dos eleitores.
Para a professora Tatiana de Souza Sabatke, jornalista e especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político, os conteúdos falsos não se restringem somente ao eleitor catarinense. “A produção de conteúdos falsos pode impactar eleitores de qualquer classe social, idade ou gênero, uma vez que, a cada dia, as ferramentas se assemelham mais à realidade, sendo necessária apuração profissional para identificar um conteúdo falso produzido por inteligência artificial”, destaca.
A professora, que também é mestre em Comunicação, pontua que os próprios jornalistas possuem uma responsabilidade maior que a maioria da população no processo de checagem desses conteúdos. Ela ressalta a importância dos profissionais para o processo democrático, uma vez que, ao fazer jornalismo,está oferecendo ao público um conteúdo apurado e checado de acordo com as regras que regem a atuação profissional. Neste processo, a transparência com que uma informação foi checada ou obtida é um dos pontos principais para reforçar a credibilidade.

Com a aproximação do período eleitoral, a circulação de conteúdos produzidos por inteligência artificial coloca em debate a capacidade do eleitor de distinguir o que é fato ou boato. As criações por IA não são apenas ferramentas de desinformação, mas também podem ser usadas para difamar candidatos, distorcer mensagens e até mesmo incitar ódio e violência.
Para o professor Rogério Christofoletti, jornalista e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), a educação midiática é fundamental para a identificação dos conteúdos manipulados. Ele reforça a responsabilidade das plataformas e os serviços de inteligência artificial criarem uma identificação, ou etiquetagem, que avise aos usuários quando se tratar de um conteúdo não orgânico.
“O comprometimento pela transparência e a qualidade técnica fortalecem o processo de confiança do público com o jornalista. A identificação do uso das ferramentas digitais é essencial para esse processo”, destaca.
Segundo o professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), há possibilidade de uma verdadeira epidemia de deepfakes nessas eleições. Por isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos, as federações, os candidatos e as plataformas digitais precisam tomar medidas que ajudem a proteger o ambiente eleitoral.
Educação midiática ganha espaço nas ações da justiça eleitoral de Santa Catarina
De acordo com as novas regras do TSE, além de todo e qualquer conteúdo feito ou manipulado dever ser identificado de forma explícita, é proibida a publicação ou republicação do material com uso de IA 72 horas antes da votação e nas 24 horas seguintes. O descumprimento das normas pode gerar sanções previstas na legislação eleitoral, exigindo que a publicação seja apagada, além de multas que variam de R$5 mil a R$30 mil para a campanha.
Como parte do combate, o tribunal adotou em seu sistema uma série de vídeos educativos contra a desinformação chamada Minuto da Checagem. Os episódios explicam como identificar notícias falsas, conteúdos manipulados e fraudes nas redes sociais, estando disponíveis para acesso do público no próprio site do órgão.
Segundo o jornalista Wagner Dias, os eleitores de Santa Catarina podem acabar sendo induzidos ao compartilhamento da desinformação quando se identificam com ela. Ele cita casos emblemáticos de fake news, como a fraude das urnas eletrônicas e as notícias antivacina propagadas em eleições anteriores, alertando que, com o avanço das novas tecnologias, essas situações podem tomar outra proporção.
Para auxiliar o cidadão, o TSE disponibiliza campanhas de enfrentamento à desinformação eleitoral e conta com o Siade, um sistema de alerta para desinformação durante o período eleitoral. Essas ferramentas oficiais permitem aos eleitores denunciar publicações que afetem a integridade do processo eleitoral em Santa Catarina.
Nota de Transparência: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio na revisão deste material. Todo o conteúdo foi avaliado pela autora, que mantém integral responsabilidade pela apuração, pelas informações publicadas e decisões editoriais.