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Cosplay ganha espaço e novas possibilidades em Joinville 

 Cosplay ganha espaço e novas possibilidades em Joinville 
4º Semestre Cultura Destaques Jornalismo Digital I

Cosplay ganha espaço e novas possibilidades em Joinville 

by João de Souza 13 de setembro de 2026

Evento Sakura reúne participantes, competições e diferentes formas de vivenciar uma cultura que vai além das fantasias 

Nos dias 11, 12 e 13 de setembro, Joinville recebeu o evento Sakura, voltado à cultura oriental, com mostras de artes marciais, comidas típicas, apresentações artísticas, concursos de misses e de cosplay. Entre fantasias, perucas e personagens, os cosplayers também encontraram no evento um espaço para mostrar suas produções e se reunir com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse.

Cosplay é a prática de se caracterizar e interpretar personagens de animes, mangás, filmes, séries e jogos. A prática, que atualmente faz parte de diversos eventos de cultura pop, passou por mudanças ao longo dos anos e se tornou mais acessível para quem deseja começar.

Com a globalização e a popularização, as pessoas acabam tendo mais acesso e, consequentemente, se interessando mais pela cultura. Letícia Peters, que é desenvolvedora de software e faz cosplay como hobby há 15 anos, comenta: “O acesso a maior importação de itens, algo que era muito difícil no início, fez com que as pessoas conseguissem comprar cosplays prontos, inteiros e de maior qualidade” e afirma que, com o passar dos anos, ficou mais fácil fazer cosplay.

Além da maior facilidade para adquirir os produtos, o acesso a materiais e informações também contribuiu para essa popularização. “Há 10 anos era muito difícil achar qualidade de perucas boas e não existiam produtoras de cosplay que já deixam tudo pronto para utilizar, então, depois da pandemia, principalmente, o cosplay alcançou muitas pessoas”, explica.

Com o crescente interesse do público pela cultura, as cidades acabam realizando mais eventos e, com eles, também acontecem as competições de cosplay. Na caminhada desde 2011 pelos eventos, Edson Alves, mais conhecido como Ash de Joinville, relata sua primeira experiência: “fiquei sabendo sobre um evento que ia acontecer aqui na cidade em 2011 e eu pensei em fazer um cosplay de um personagem que eu gosto muito e foi bem divertido, foi minha primeira experiência e despertou vontade de querer fazer mais”.

No cenário há vários anos e tendo ganhado visibilidade, Ash, como gosta de ser chamado, participa de várias competições na região de Santa Catarina e também pelo Brasil, tendo levado pódio em várias delas. Para ele, a experiência também mostra o talento de quem participa das competições. “Todo o nicho de cosplay pelo Brasil, o pessoal é muito talentoso”, afirma.

Conforme as competições acontecem, vão surgindo diferentes formas de avaliar o cosplay, não apenas pela parte estética, mas também pela interpretação do personagem e pelo estudo de suas características, desde a forma de falar até seu comportamento. Os critérios podem variar de acordo com cada competição, mas os jurados costumam receber referências dos personagens e realizar uma avaliação dos detalhes, das roupas e da complexidade da produção.

Além da caracterização, algumas competições também contam com apresentações, nas quais os participantes interpretam seus personagens. Nesse momento, são avaliados aspectos como a atuação e o lip sync, técnica em que o participante acompanha uma música ou fala previamente gravada, dando vida ao personagem durante a apresentação.

Atualmente, Edson não trabalha apenas como cosmaker, mas o cosplay ainda é uma de suas fontes de renda. O cosmaker é o profissional responsável pela produção de roupas, acessórios e outros elementos utilizados nos cosplays, tanto para si quanto para outras pessoas.

Edson conta que antigamente trabalhava somente com cosplay, produzindo suas próprias peças e também aceitando encomendas. Hoje, porém, decidiu manter um trabalho fixo e deixar o cosplay como uma atividade realizada nas horas vagas, principalmente por meio de encomendas. “Antigamente eu trabalhava só como cosmaker, trabalhando com cosplay no modo geral, produzindo tanto para mim quanto para os outros, mas atualmente eu decidi ficar aceitando algumas encomendas por fora, para eu conseguir ter uma renda fixa, e daí nisso, além do salário mensal, meu extra seria o cosplay”, explica.

Mesmo com a mudança na forma de trabalhar, Edson afirma que é possível transformar a atividade em uma fonte de renda. “Então atualmente dá para viver de cosplay sim”, afirma. 

Edson Alves vestido de palhaço PennyWise

Apesar de ser uma comunidade que reúne pessoas com interesses em comum, o cosplay também enfrenta problemas que ultrapassam as competições e a produção das fantasias. Entre eles está a hipersexualização de cosplayers, principalmente quando as personagens possuem roupas mais curtas ou deixam partes do corpo à mostra.

Jéssica, que também participa da comunidade, compara situações vividas dentro dos eventos com situações de assédio que podem acontecer no cotidiano. “Querendo ou não, se vestir de personagem que seja um pouco mais destapado, que seja um pouco mais com o corpo à mostra, mesmo que seja num evento, acaba meio que acontecendo a mesma coisa que acontece no cotidiano”, relata.

Segundo ela, os cosplayers podem receber comentários e sofrer assédio durante os eventos por causa da roupa utilizada. Jéssica afirma que conhece outras cosplayers que passaram por situações mais graves. “Quando a cosplayer tá com um cosplay um pouquinho mais curto, ela acaba sofrendo esse tipo de comentário, assédio, ou às vezes até casos piores que já aconteceram”, conta.

Para Jéssica, os próprios eventos também possuem um papel importante no combate a esse tipo de situação. “Tem evento que toma muito cuidado com isso, e eu espero que outros eventos também acabem tendo isso como exemplo e tomando mais atenção também contra isso, contra esse tipo de assédio, essa hipersexualização”, afirma.

Mesmo com os desafios encontrados dentro da comunidade, o cosplay continua reunindo pessoas que encontram na prática uma forma de expressão, criatividade e diversão. Para muitos participantes, a atividade vai além da roupa e da caracterização, criando também oportunidades de conhecer novas pessoas e compartilhar interesses em comum.

A trajetória de quem pratica cosplay mostra que a atividade pode começar como uma brincadeira ou curiosidade e, com o tempo, se transformar em competição, trabalho e até fonte de renda. Nos eventos, os personagens ganham vida, mas também são criadas relações entre pessoas que encontram no cosplay uma forma de fazer parte de uma comunidade.

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Tags: Anime Cosplay Cultura eventos Joinville Sakura
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