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Projeto mantém esperança da não extinção de golfinhos na Baía da Babitonga

 Projeto mantém esperança da não extinção de golfinhos na Baía da Babitonga
Especiais multimídia

Projeto mantém esperança da não extinção de golfinhos na Baía da Babitonga

by Redação 6 de maio de 2019

A Toninha é a menor espécie de mamífero do oceano e, atualmente,  encontra-se ameaçada de extinção

Duas vezes por semana, Ana Bárbara Broni de Miranda sai da sede do Projeto Toninhas, em São Francisco do Sul, para a saída de campo na Baía da Babitonga. Ana é bióloga e trabalha de forma permanente no projeto. Ela atua juntamente com uma equipe de profissionais e alunos do curso de Ciências Biológicas da Univille. As pesquisas com o mamífero marinho estão sendo desenvolvidas há mais de dez anos, com objetivo de preservar e estudar o comportamento das Toninhas e de outros animais. As saídas de campo são centralizadas principalmente nas regiões entre as ilhas, a área de maior preferência das toninhas.

Mapa de São Francisco do Sul – SC (Créditos: Mapasblog)

A equipe pega o barco na Marina, local onde fica em terra seca, e se desloca para a Baía. Durante os estudos de campo, são tiradas fotos da nadadeira dorsal e característica singular de cada toninha. É dessa forma que elas são identificadas. A espécie é mais reservada que os golfinhos, chamadas até de “tímidas” pelos integrantes do projeto. Essa característica dificulta um pouco a observação, principalmente em dias com muito vento e com muitas ondas. Além disso, as saídas de campo também servem para fazer o monitoramento das redes de pesca. Os monitores do projeto saem em busca das redes, marcando as posições do GPS para saber o movimento da rede e assim tornar possível a observação.

 

A comunicação das toninhas é pouco conhecida. Segundo informações do projeto, um estudo comprova que elas têm a capacidade de ecolocalização, forma de comunicação por sentidos, através da emissão de ondas ultrassônicas que possibilitam detectar a posição e distância. A bioacústica pode gerar subsídios para a conservação da toninha, possibilitando formas de evitar a pesca acidental. Esses estudos são feitos através do monitoramento acústico com hidrofones, um aparelho autônomo que fica dentro da água gravando as informações do som da toninha. A coordenadora de pesquisa do projeto, Marta Cremer, junto com integrantes, colocam vários aparelhos sistematicamente em toda a baía para entender melhor a distribuição delas no ambiente, principalmente seus horários.

Como todos os cetáceos, seu corpo é adaptado para ambientes aquáticos. A toninha é um dos menores mamíferos do oceano. Se alimenta de pequenos peixes, lulas e camarões. Segundo o ministério do meio ambiente, ela é atualmente a única espécie ameaçada de extinção. Elas costumam nadar em regiões onde os pescadores lançam suas redes.

Características das Toninha (Créditos: Juliana Mews)

Não saltam, não fazem piruetas e não brincam muito fora da água, como outros golfinhos. Em geral, elas costumam mostrar-se pouco, e sobem para a superfície para respirar. Os grupos costumam ser pequenos, com dois ou cinco integrantes. É bastante comum encontrar grupos próximos, alguns estudos genéticos indicam que até possuem laços familiares. Por preferirem locais com profundidades mais baixas, ficam relativamente perto da costa, no máximo a 50 metros de profundidade. “É raro encontrar toninhas em baías na costa leste do Brasil, aqui na Baía da Babitonga é o único lugar com uma população residente que utiliza o mesmo espaço de convivência”, explica a bióloga. As toninhas de mar aberto não entram, e as que já estão na baía não saem. Para a bióloga Ana Bárbara, é como se fosse uma verdadeira casa. A última estimativa é que aproximadamente 60 a 80 indivíduos vivem na baía. Novos estudos e pesquisas estão sendo feitos para atualização.

A reprodução das toninhas acontece apenas uma vez a cada um, ou dois anos e a gestação dura entre 11 e 12 meses. A maioria dos nascimentos acontecem na primavera, mas filhotes podem ser vistos durante todo o ano. Os filhotes nascem bem pequenos, com aproximadamente 70 e 80 cm de comprimento, mamam até os nove meses e começam a se alimentar já aos quatro e seis meses de vida. Durante seu desenvolvimento, são ensinados pela mãe a capturar peixes e a se alimentarem sozinhos.

Vítimas de captura acidental, os casos de golfinhos mortos e machucados só aumentam. A população jovem de toninhas acaba não tendo tempo para se reproduzir e fica cada vez mais ameaçada de extinção. Sem fiscalização constante, a preocupação quanto a segurança dos animais é frequente. “É difícil saber quantas morrem né, pois acontece lá fora, no mar. Muitos pescadores também temem dar a informação por medo de represálias, mas não é a intenção. Queremos entender o problema para poder resolvê-lo,” destaca a coordenadora do projeto, Marta Cremer.

Além das redes de pesca, outro problema que os mamíferos encontram é com os lixos nos locais em que vivem. No ano passado, uma toninha foi encontrada em Santos, no estado de São Paulo, com um lacre de refrigerante no rosto, impedindo-a de se alimentar.

Ações do Projeto Toninhas na comunidade e cidades do entorno

Com diversas iniciativas de preservação, a equipe do projeto busca conscientizar a comunidade sobre a importância de preservação dos golfinhos. Os trabalhos de conscientização desenvolvidos pela equipe do projeto envolvem pescadores e inclusive os seus filhos. Além disso, o projeto busca estabelecer parceria com outras instituições, promovendo assim diferentes palestras sobre as toninhas e os ecossistemas costeiros. As palestras são apresentadas em escolas, empresas, organizações, associações e de acordo com a demanda da comunidade.

O público pode ter acesso à mais informações sobre a vida do mamífero não somente em palestras, mas no Espaço Ambiental Babitonga, que possui em seu acervo espécies da região, esqueletos, moldes de animais em tamanho real e aquários de água doce e salgada. Os visitantes podem conhecer um pouco mais sobre o ambiente e os animais que vivem no local, através de uma trilha até o manguezal.

A Sala Toninha é um ambiente decorado, ideal para o desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental. As visitas são recepcionadas e acompanhadas por uma equipe que fornece diversas informações sobre a fauna e os ecossistemas da região.

Os dois ambientes estão localizados na Univille, unidade de São Francisco do Sul, que também realiza exposições com animais taxidermizados, fotos e banners explicativos. Além do material já disponível no Espaço Ambiental Babitonga, que também é levado para fora da universidade com o objetivo de alcançar a comunidade em geral.

Sede do Projeto Toninhas, em São Francisco do Sul – SC. (Créditos: Projeto Toninhas)

As exposições são realizadas em municípios como: Garuva, Itapoá, Araquari e Barra do Sul. Municípios como Florianópolis e Laguna, firmaram parceria com o projeto através do Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) de Laguna. Para essas regiões, a “Caravana da Toninha” é levada para os locais, onde ocorre a distribuição do material de divulgação, apresentação do videodocumentário “Toninhas: no limite da sobrevivência” e exposição de fotos e moldes em pontos estratégicos das cidades.

http://primeirapauta.ielusc.br/wp-content/uploads/2019/05/Vídeo-2.mp4

Outra  ação importante do Projeto Toninhas foi a confecção de um livro paradidático, feito com o objetivo de alcançar um número maior de pessoas e dar visibilidade para a vida e rotina da toninha. Confeccionado por integrantes do projeto, o livro é todo ilustrado e distribuído em escolas de São Francisco do Sul. A iniciativa tem como objetivo disponibilizar um material de referência para ser utilizado em salas de aula e que trate de temas locais, como ecossistemas costeiros e as toninhas. O projeto também possui um canal no YouTube, onde é possível encontrar várias histórias da Toninha Babi, que são apresentadas em algumas escolas e CEIs.

Como posso ajudar na preservação da espécie?

Antes de tudo, é preciso ter conscientização. Cada um precisa entender que todo resíduo vai para algum lugar,  tudo que consumimos gera lixo que leva anos para se decompor. Quando esse lixo não é descartado da forma correta, acabam nos rios, e então no mar. Pesquisadores já encontraram toninhas mortas com o lacre de garrafa PET preso no rosto, impedindo a alimentação, bem como mamíferos que acabaram consumindo plásticos e acabaram mortos na praia. A pesca consciente e cuidadosa, assim como a preservação das águas e do meio ambiente, são princípios que auxiliam na preservação das Toninhas.

Por: Juliana Mews, Sara Lins e Paulo Ribeiro

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Tags: Toninha - Baía da Babitonga - Extinção - Projeto - Golfinho - Preservação
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