Resgates de gambás em Joinville cresce durante mês de novembro
Comparado a ocorrências no mesmo mês do ano passado, número duplicou mesmo ainda faltando quase duas semanas para chegada de dezembro, de acordo com Bombeiros Voluntários
Joinville enfrenta mais um mês de alta no número de gambás recolhidos em áreas urbanas. Em novembro, as ocorrências já superam, e dobram, as registradas no mesmo período de 2024, evidenciando a intensificação desse movimento que tem mobilizado moradores e equipes de resgate.
De acordo com os Bombeiros Voluntários, já foram registrados 70 casos neste mês. No ano passado, o mês com mais ocorrências foi outubro, com 40 ocorrências. Neste ano, em outubro, foram registrados 196 recolhimentos, número que representa quase 75% do total de situações registradas em todo o ano de 2024, que somaram 261.
No acumulado do ano, Joinville já triplicou o número de casos de 2024, chegando aos expressivos 794 salvamentos de gambás em residências urbanas. O biólogo Javier Adolfo, comenta que as aparições não são novidade: “Eles sempre fizeram parte da fauna local. O que ocorre é que, nos últimos anos, há uma maior visibilidade desses animais devido à ampliação da cobertura da mídia, ao aumento das denúncias e registros feitos pela população e às campanhas de proteção, que destacam a importância ecológica da espécie.”
Por que os animais entram em residências
Quando um gambá entra em uma casa, geralmente está em busca de alimento e abrigo. Esses animais possuem uma dieta bastante variada e podem ser atraídos por restos de comida no lixo, ração de cães e gatos deixada disponível, frutas armazenadas, além de insetos e pequenos animais que possam encontrar no ambiente.
Outro motivo comum é a procura por locais seguros para descansar ou se proteger, especialmente em estruturas como forros de telhado, sótãos, depósitos ou áreas com pouca circulação de pessoas. “Esses espaços oferecem tranquilidade, proteção contra predadores e boas condições para criar filhotes”, afirma Javier Adolfo.
Guilherme Zermiani, estudante de Design Gráfico na Unisociesc, afirma sempre ver gambás nas redondezas: “Sempre deixo meu carro estacionado em uma rua na frente, onde tem um rio e direto os gambás estão por ali. Acabo sempre ficando de olho, porque como são ariscos acabam se atravessando na frente e é preciso desse cuidado para não acabar atropelando nenhum.”
Gambás não fazem mal
Grande parte dos moradores teme que os animais possam transmitir doenças simplesmente por estarem em seu quintal, mas isso não acontece. Como qualquer animal silvestre, os gambás podem sim transmitir doenças como leptospirose, mas por meio do contato com urina ou fezes contaminadas, além de carregarem pulgas e carrapatos que podem transmitir outras doenças. Apesar disso, casos reais de transmissão são raros.
“O risco maior ocorre quando há falta de higiene no ambiente ou manipulação imprópria desses animais, sendo fundamental manter distância e não tentar alimentar ou pegar gambás”, complementa a médica veterinária Julia da Silva.
É fundamental lembrar que eles também cumprem papel ecológico importante ao controlar pragas, alimentando-se de insetos, baratas, escorpiões, pequenos roedores e até caramujos. O que reduz a necessidade de controle químico e diminui a presença de animais potencialmente perigosos nas cidades.
O que fazer ao encontrar a espécie
Ao encontrar um gambá dentro de casa ou no quintal, o mais importante é manter a calma, não tentar tocar ou capturar o animal e garantir que pessoas e pets fiquem afastados. Também é fundamental evitar deixar lixo e restos de comida acessíveis, fechar bem lixeiras, vedar possíveis entradas e manter o ambiente limpo para não atrair o animal novamente, lembrando que o uso de venenos ou armadilhas é proibido e pode causar desequilíbrios ambientais.
O gambá é um animal silvestre protegido por lei, e é crime capturá-lo, mantê-lo em cativeiro ou causar qualquer dano a espécie. Caso ele esteja preso dentro da casa, o ideal é acionar os Bombeiros Voluntários de Joinville pelo número 193.
“Normalmente o gambá irá embora sozinho se tiver uma rota livre, mas caso ele esteja em local fechado ou com dificuldade de sair, o ideal é acionar órgãos ambientais.”
Javier Adolfo, biólogo