Com gol de Merino, Espanha elimina Portugal em último jogo de Cristiano Ronaldo em copas
A Espanha está de volta às quartas de final da Copa do Mundo. Dezesseis anos depois da conquista do título na África do Sul, a seleção comandada por Luis de la Fuente voltou a figurar entre as oito melhores equipes do torneio ao derrotar Portugal por 1 a 0, nesta segunda-feira (6), no AT&T Stadium, em Dallas, pelas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026.
O gol da classificação saiu apenas nos acréscimos do segundo tempo. Aos 46 minutos, Ferran Torres encontrou Mikel Merino dentro da área. O meio-campista dominou e bateu cruzado, sem chances para Diogo Costa, garantindo a vaga espanhola. Agora, a Espanha enfrentará, em Los Angeles, a seleção da Bélgica.
A classificação também manteve um roteiro histórico entre as duas seleções. A última vez que espanhóis e portugueses haviam se enfrentado em um mata-mata de Copa do Mundo também foi nas oitavas de final. Em 2010, na África do Sul, David Villa marcou o gol da vitória por 1 a 0 que colocou a Espanha nas quartas de final do torneio que terminaria com o primeiro título mundial da história do país.
Para Portugal, a derrota encerra uma campanha cercada por expectativas. Dona de uma geração considerada por muitos a mais talentosa de sua história, a equipe se despede antes das quartas de final e vê chegar ao fim também a trajetória de Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo.

Primeiro tempo com destaque para os goleiros
O clássico ibérico começou movimentado, com oportunidades para os dois lados. Logo aos sete minutos, Dani Olmo encontrou Mikel Oyarzabal nas costas da defesa portuguesa. O atacante saiu cara a cara com Diogo Costa, mas finalizou para fora. Portugal respondeu rapidamente. Cristiano Ronaldo recebeu pela esquerda, bateu de ângulo reduzido e obrigou Unai Simón a espalmar para escanteio.
A partir daí, os goleiros passaram a protagonizar a partida. Diogo Costa evitou o gol espanhol em sequência de defesas sobre Lamine Yamal e Alex Baena. Pouco depois, voltou a aparecer ao defender uma finalização de Pedri, enquanto Olmo desperdiçou o rebote. Do outro lado, Unai Simón seguiu seguro diante das investidas portuguesas, principalmente em nova tentativa de Cristiano Ronaldo.
Segundo tempo com salvação no final
A etapa final começou em ritmo mais cadenciado. Portugal sofreu uma perda importante com a saída de Nuno Mendes, um dos melhores jogadores da equipe até então. A ausência do lateral reduziu a força ofensiva portuguesa pelo lado esquerdo.
A Espanha aproveitou para aumentar o volume de jogo. Lamine Yamal levou perigo em cobrança de falta defendida por Diogo Costa, enquanto Pedri, Olmo e Ferran Torres passaram a ocupar mais o campo ofensivo. Com o passar dos minutos, a sensação era de que a decisão caminharia para a prorrogação.
Mas Luis de la Fuente voltou a ser decisivo nas alterações. Já nos acréscimos, Ferran Torres recebeu liberdade pelo lado direito e encontrou Mikel Merino infiltrando na área. O volante finalizou no canto direito de Diogo Costa para explodir a torcida espanhola em Dallas e confirmar a classificação.

Merino, o iluminado de Fuente
Se Lamine Yamal é o símbolo da nova geração espanhola, Mikel Merino tem se consolidado como o homem dos gols decisivos. O meio-campista voltou a aparecer quando sua seleção mais precisava. O roteiro lembra a Eurocopa de 2024, quando marcou aos 119 minutos contra a Alemanha, nas quartas de final, colocando a Espanha nas semifinais da competição que terminaria com o título europeu.
Desde a chegada de Luis de la Fuente ao comando da seleção, Merino transformou-se em uma arma ofensiva improvável. Dez dos seus onze gols pela Espanha foram marcados nesse período, mesmo atuando como meio-campista. Enquanto Yamal, Nico Williams, Dani Olmo, Oyarzabal e Ferran Torres concentram as atenções das defesas adversárias, Merino segue aparecendo como elemento surpresa e decisivo nas grandes partidas.

Em sua última Copa do Mundo, Cristiano perde chance com geração marcante
A eliminação deixa um sentimento de frustração para Portugal. O elenco reunia alguns dos principais nomes do futebol europeu. Campeões da Liga dos Campeões e multicampeões pelo Paris Saint-Germain, Vitinha, João Neves e Nuno Mendes dividiam protagonismo com Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Dias e Cristiano Ronaldo.
A derrota para a Espanha encerrou um dos capítulos mais marcantes da história dos Mundiais. Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo disputou sua última partida em Copas do Mundo, colocando fim a uma trajetória iniciada em 2006, na Alemanha.
Foram seis edições consecutivas do torneio, um recorde compartilhado apenas com Lionel Messi e Guillermo Ochoa. Nesta Copa, o camisa 7 voltou a ser decisivo. Marcou dois gols na goleada sobre o Uzbequistão na fase de grupos e balançou as redes na vitória sobre a Croácia, nas oitavas de final, anotando pela primeira vez um gol em um mata-mata de Mundial.
Ao longo da carreira, Cristiano conseguiu um feito inédito: marcou pelo menos um gol em seis Copas do Mundo diferentes, algo jamais alcançado por outro jogador. Sua última comemoração em Mundiais entrou para a história também pela idade. O gol diante da Croácia fez dele o segundo jogador mais velho a marcar em uma Copa do Mundo, atrás apenas do camaronês Roger Milla.
A despedida não veio com o título sonhado, mas encerra uma carreira que redefiniu recordes e consolidou Cristiano Ronaldo como um dos maiores jogadores da história da competição.

Também chegou ao fim o ciclo do técnico Roberto Martínez. Depois de três anos e meio no comando da seleção e da conquista da Liga das Nações da UEFA, o treinador deixa o cargo sem conseguir transformar o talento da geração em uma campanha histórica de Copa do Mundo.
Classificada, a Espanha agora encara a Bélgica. A partida pelas quartas de final será disputada em Los Angeles, e a equipe de Luis de la Fuente tentará manter vivo o sonho do bicampeonato mundial, dezesseis anos depois de conquistar sua primeira estrela.