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Inteligência artificial desafia eleições de 2026 com avanço de conteúdos falsos

 Inteligência artificial desafia eleições de 2026 com avanço de conteúdos falsos
4º Semestre Destaques Jornalismo Digital I Política

Inteligência artificial desafia eleições de 2026 com avanço de conteúdos falsos

by Kethlyn Mariano 14 de setembro de 2026

Circulação de publicações manipuladas nas redes sociais exige mais atenção dos eleitores catarinenses durante a campanha eleitoral.

Levantamento publicado em 2026 pelo Aláfia Lab, um laboratório de pesquisa independente e multidisciplinar focado em política digital, aponta que 43% dos conteúdos gerados por inteligência artificial estão relacionados a temas políticos. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) adotou ações midiáticas para orientar a população a reconhecer essas publicações falsas.

O uso de inteligência artificial é um dos principais desafios das eleições de 2026. A tecnologia permite criar e modificar vídeos, imagens, áudios e textos com aparência realista, ampliando o risco de conteúdos falsos ou manipulados serem utilizados para influenciar a opinião dos eleitores.

Para a professora Tatiana de Souza Sabatke, jornalista e especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político, os conteúdos falsos não se restringem somente ao eleitor catarinense. “A produção de conteúdos falsos pode impactar eleitores de qualquer classe social, idade ou gênero, uma vez que, a cada dia, as ferramentas se assemelham mais à realidade, sendo necessária apuração profissional para identificar um conteúdo falso produzido por inteligência artificial”, destaca.

A professora, que também é mestre em Comunicação, pontua que os próprios jornalistas possuem uma responsabilidade maior que a maioria da população no processo de checagem desses conteúdos. Ela ressalta a importância dos profissionais para o processo democrático, uma vez que, ao fazer jornalismo,está oferecendo ao público um conteúdo apurado e checado de acordo com as regras que regem a atuação profissional. Neste processo, a transparência com que uma informação foi checada ou obtida é um dos pontos principais para reforçar a credibilidade.

IA facilita a criação de conteúdos falsos nas eleições de 2026. por: Daniela Cunha

Com a aproximação do período eleitoral, a circulação de conteúdos produzidos por inteligência artificial coloca em debate a capacidade do eleitor de distinguir o que é fato ou boato. As criações por IA não são apenas ferramentas de desinformação, mas também podem ser usadas para difamar candidatos, distorcer mensagens e até mesmo incitar ódio e violência.

Para o professor Rogério Christofoletti, jornalista e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), a educação midiática é fundamental para a identificação dos conteúdos manipulados. Ele reforça a responsabilidade das plataformas e os serviços de inteligência artificial criarem uma identificação, ou etiquetagem, que avise aos usuários quando se tratar de um conteúdo não orgânico.

“O comprometimento pela transparência e a qualidade técnica fortalecem o processo de confiança do público com o jornalista. A identificação do uso das ferramentas digitais é essencial para esse processo”, destaca.

Segundo o professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), há possibilidade de uma verdadeira epidemia de deepfakes nessas eleições. Por isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos, as federações, os candidatos e as plataformas digitais precisam tomar medidas que ajudem a proteger o ambiente eleitoral.

Educação midiática ganha espaço nas ações da justiça eleitoral de Santa Catarina

De acordo com as novas regras do TSE, além de todo e qualquer conteúdo feito ou manipulado dever ser identificado de forma explícita, é proibida a publicação ou republicação do material com uso de IA 72 horas antes da votação e nas 24 horas seguintes. O descumprimento das normas pode gerar sanções previstas na legislação eleitoral, exigindo que a publicação seja apagada, além de multas que variam de R$5 mil a R$30 mil para a campanha.

Como parte do combate, o tribunal adotou em seu sistema uma série de vídeos educativos contra a desinformação chamada Minuto da Checagem. Os episódios explicam como identificar notícias falsas, conteúdos manipulados e fraudes nas redes sociais, estando disponíveis para acesso do público no próprio site do órgão.

Segundo o jornalista Wagner Dias, os eleitores de Santa Catarina podem acabar sendo induzidos ao compartilhamento da desinformação quando se identificam com ela. Ele cita casos emblemáticos de fake news, como a fraude das urnas eletrônicas e as notícias antivacina propagadas em eleições anteriores, alertando que, com o avanço das novas tecnologias, essas situações podem tomar outra proporção.

Para auxiliar o cidadão, o TSE disponibiliza campanhas de enfrentamento à desinformação eleitoral e conta com o Siade, um sistema de alerta para desinformação durante o período eleitoral. Essas ferramentas oficiais permitem aos eleitores denunciar publicações que afetem a integridade do processo eleitoral em Santa Catarina.


Nota de Transparência: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio na revisão deste material. Todo o conteúdo foi avaliado pela autora, que mantém integral responsabilidade pela apuração, pelas informações publicadas e decisões editoriais.

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Tags: deepfake desinformação educação midiática Eleições inteligência artificial Joinville política
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