Casos de dengue caem 99% com uso do método Wolbachia em Joinville
Após enfrentar uma epidemia em 2024, com 80,2 mil casos confirmados e 83 mortes por dengue, Joinville chega ao terceiro trimestre de 2026 com 72 casos confirmados e nenhum óbito pela doença, segundo dados da Prefeitura de Joinville. A redução ocorreu dois anos após o início da implantação do Método Wolbachia, período em que o município apresentou o menor risco epidemiológico dos últimos cinco anos.
O Método Wolbachia consiste em introduzir no mosquito Aedes aegypti uma bactéria natural, presente em cerca de 60% dos insetos, mas ausente nele. Segundo a Wolbito Brasil, empresa responsável pela tecnologia, a Wolbachia impede a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya dentro do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmissão mesmo que ele continue picando normalmente.
“O que acontece é que a bactéria cria um ambiente dentro do mosquito que impede a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Sem conseguir se multiplicar adequadamente, ele tem baixa capacidade de transmitir doenças”.
Implementação do método
A implantação do método começou em Joinville em agosto de 2024, inicialmente em 17 bairros e com abrangência de cerca de 360 mil moradores. Em 2025, o método avançou para mais 15 bairros. A terceira fase começou em agosto de 2026, com a liberação de mosquitos em 11 bairros, abrangendo cerca de 100 mil moradores
Com a conclusão da terceira fase, Joinville se tornou uma das primeiras cidades do país a alcançar 100% de cobertura do método em sua área urbana. As solturas dos chamados “Wolbitos” são realizadas de terça a sexta-feira, no início da manhã, por equipes da Vigilância Ambiental e da Wolbito do Brasil.
A substituição dos mosquitos acontece de forma gradual. Os Wolbitos são liberados em pontos estratégicos e se reproduzem com os Aedes aegypti da região, transmitindo a bactéria para as novas gerações. As solturas são realizadas uma vez por semana, durante 26 semanas, até que a maioria dos mosquitos passe a carregar a Wolbachia.

Mas a redução dos casos não depende apenas da Wolbachia. O controle da dengue também envolve ações de fiscalização, eliminação de focos do mosquito, vacinação e orientação da população. Em Joinville, as equipes da Vigilância Ambiental realizam visitas aos imóveis, monitoram a presença do Aedes Aegypti e promovem mutirões nos bairros.
Prevenção segue sendo tarefa de todos
A mudança também é sentida por quem vive na cidade. Laura Vieira, moradora do bairro América, acredita que o método tem potencial para acabar com os casos de dengue em Joinville. “Se em tão pouco tempo já vimos uma mudança tão grande, imagina quando essa terceira fase for finalizada”, afirma.
Apesar da redução dos casos, a prevenção continua sendo necessária. A dengue é uma doença sazonal, e fatores como calor e chuva podem favorecer a proliferação do mosquito. Por isso, as ações de controle e a participação da população seguem sendo importantes para evitar novos casos.
“Aqui no hospital os casos de dengue diminuíram muito, mas mesmo com essa redução, é importante manter os cuidados de prevenção” , explica Joacira Vargas, enfermeira do hospital Dona Helena. “A doença pode voltar caso as medidas não sejam mantidas.”
O alerta tem uma razão: a dengue é uma doença sazonal, e fatores como calor e chuva favorecem a proliferação do mosquito. Por isso, o controle depende não só da Wolbachia, mas também das ações de fiscalização e da participação da população na eliminação de criadouros.
A expectativa é manter a presença da Wolbachia na população de mosquitos e acompanhar os resultados do método ao longo dos próximos anos. As ações de prevenção e monitoramento continuam sendo realizadas e os moradores seguem tendo papel importante na eliminação de criadouros do Aedes Aegypti.
Nota de transparência: Esta reportagem contou com o apoio de inteligência artificial na organização das informações e na revisão do texto. A apuração, escrita e a verificação das informações são da autora.