Joinville avança com projeto contra vício em “bets” nas escolas
A febre das plataformas de apostas virtuais e dos jogos de azar online, as chamadas “bets”, acendeu um alerta dentro das salas de aula em Joinville. Para tentar frear o acesso precoce e o vício entre os jovens, tramita na Câmara de Vereadores de Joinville, o Projeto de Lei nº 17/2026, que institui o programa educacional “Não Aposte seu Futuro”. A iniciativa tem como alvo crianças e adolescentes das redes pública e privada de ensino básico da cidade.
De autoria do vereador Mateus Batista (União), a proposta municipal toma como base a experiência da Lei Estadual nº 19.740/2026 (Programa Fim de Jogo). O autor do projeto destaca que a motivação nasce de um diagnóstico preocupante sobre a fragilidade da economia doméstica, severamente impactada pela ilusão do ganho fácil nessas plataformas.
“As bets e os jogos de azar digitais são componentes cada vez mais importantes no endividamento das famílias. A ideia é criar um programa educacional onde possamos mostrar, desde criancinha, os malefícios e as consequências disso, deixando claro que esse tipo de dispositivo não é um investimento”, destaca o parlamentar.

Perigo do “dinheiro fácil” e influência das redes
A preocupação que movimenta o legislativo reflete de forma direta o cenário desafiador que os educadores já estão enfrentando na prática diária. A promessa de ganhos rápidos tem seduzido estudantes cada vez mais novos. Ana Karoline Scuissiato é professora da rede pública municipal e relata que o contato com as plataformas ocorre de maneira precoce, pontuando que ela própria já presenciou alunos do ensino médio utilizando aplicativos de apostas no ambiente escolar.
“No início, as apostas podem parecer algo divertido e uma forma fácil de ganhar dinheiro. Muitos começam apostando valores baixos, sem perceber os riscos. Porém, com o tempo, isso pode virar um vício real em que a pessoa perde o controle”, alerta.
A educadora também aponta que o foco no prazer imediato e o papel impulsionador das redes sociais são fatores determinantes para o agravamento do problema entre os adolescentes.
“Influenciadores divulgam as bets mostrando só o lado positivo, o que chama a atenção dos adolescentes e passa uma falsa sensação de vantagem”.
Diante desse cenário na rotina escolar, fica evidente a necessidade de tratar o tema de forma preventiva. Quem reforça a urgência de unir forças entre escola e comunidade é Gabriela Cristina Dias, professora da rede pública de Joinville. Para a educadora, a orientação precisa ultrapassar os muros da instituição e envolver diretamente os responsáveis.
“O professor pode abordar o assunto em sala, mas o tema também deve ser levado aos familiares através de palestras, por exemplo. É preciso que os pais tenham um olhar mais detalhado sobre o que os filhos estão acessando e conversem melhor dentro de casa”.
Próximos passos na Câmara
Para sair do papel, a matéria ainda precisa cumprir etapas no Legislativo. A proposta já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na forma de um substitutivo global do relator, vereador Lucas Souza (Republicanos) que adequou o texto para garantir que não haja criação de novas despesas ou cargos públicos. Agora, o PL nº 17/2026 segue para análise nas comissões de Finanças e de Educação antes de ser pautado para votação final no Plenário.