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Nove dos 19 votos contra fim da escala 6×1 vieram de deputados de SC

 Nove dos 19 votos contra fim da escala 6×1 vieram de deputados de SC
Joinville tinha 238.399 trabalhadores em empregos formais em 2024, segundo o Joinville Cidade em Dados 2025 - Foto: Alireza Leyli, Pixabay
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Nove dos 19 votos contra fim da escala 6×1 vieram de deputados de SC

by Julia Kluck 18 de setembro de 2026

Proposta que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso avança no Senado; trabalhadores de Joinville relatam os efeitos da escala na vida pessoal

A maioria dos deputados federais de Santa Catarina votou contra a proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal de trabalho. Na votação em segundo turno, nove dos 16 parlamentares catarinenses se posicionaram contra a mudança, enquanto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pela Câmara por 461 votos a 19.

Aprovada também pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro, a proposta prevê dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial. O texto agora aguarda votação no plenário da Casa. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União), afirmou que a votação só deve ocorrer após as eleições de 2026. 

Em 27 de agosto, o senador Omar Aziz (PSD) apresentou relatório favorável à proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta foi aprovada pela CCJ do Senado em 2 de setembro. 

6×1 na pele

Ricardo Santos (nome fictício, a pedido do entrevistado) faz parte de uma realidade vivida por milhares de trabalhadores em Joinville. Ele é um dos 89.339 operários formais empregados da indústria da cidade, segundo informações do Joinville Cidade em Dados 2025 – Desenvolvimento Econômico. 

A rotina do mecânico começa ainda de madrugada. Às 4h, Ricardo já está de pé para chegar à empresa às 5h, onde trabalha até as 14h. Além do emprego com carteira assinada, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ele mantém um segundo trabalho para garantir mais conforto à família.

“É exaustivo. Sou casado e tenho três filhos, então quase nunca tenho um dia de descanso de verdade”, diz. “Com uma escala de trabalho diferente, eu teria mais tempo com a minha família e viveria sem me sentir cansado no final do dia.”

Luana da Silva (nome fictício, a pedido da entrevistada) é natural do Paraná, mas se mudou para Joinville com a família, em 1990, aos cinco anos de idade, depois que seu pai conseguiu emprego em uma das empresas metalúrgicas da cidade. Ela é enfermeira há cinco anos. Antes da formação, ela trabalhou por nove anos como técnica de enfermagem.

Para a profissional, o expediente também começa cedo. Durante a semana, às 5h30, ela já inicia a sua rotina para chegar ao trabalho. Cerca de uma hora depois, já está na instituição hospitalar em que trabalha, onde permanece até às 12h30. Aos fins de semana, os dias de trabalho variam conforme a escala, mas a jornada se estende consideravelmente, chegando a 12 horas por dia. 

“Me sinto esgotada, fico cansada praticamente todos os dias”, conta Luana, “tenho rotina e faço as minhas coisas, mas se pudesse só deitar e dormir, eu faria.”

Ambos os trabalhadores destacaram o mesmo ponto: como a escala de trabalho faz com que percam ocasiões especiais ao lado da família e dos amigos. Aniversários, almoçar junto aos domingos ou até mesmo as festas de fim de ano passaram a ser momentos que nem sempre conseguem aproveitar juntos.

“Não é sempre que conseguimos uma folga ou troca de plantão com algum colega. Às vezes somos obrigados a trabalhar e perdemos esses momentos únicos”, admite Luana.

Outro lado

Vicente Santos Goldin é diretor de uma empresa em Joinville que produz serviços de usinagem, tornearia e solda. Na avaliação dele, a queda no número de horas trabalhadas teria impacto direto na produção, já que, atualmente, o volume produzido está relacionado ao tempo de trabalho. 

“Não vejo aumento da produtividade, porque a produção hoje é por horas trabalhadas. Trabalhando menos horas, a produção baixa também”, afirma. “Para compensar a baixa da produção, os produtos em geral teriam que ter um reajuste em torno de 10%”.

Luta pela mudança

O debate sobre o fim da escala 6×1 também já mobilizou sindicatos em Joinville. Em 20 de março de 2026, o Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região (SindMecânicos), junto ao Sindicato dos Metalúrgicos, participou de uma mobilização nacional pela mudança da jornada. Segundo notícia veiculada no site do SindMecânicos, a iniciativa buscou chamar a atenção para a necessidade de condições de trabalho que conciliam produtividade, saúde, bem-estar e qualidade de vida dos trabalhadores.

Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej), Mara Tavares, a principal mudança que o possível fim da escala 6×1 proporciona seria garantir que o trabalhador tenha mais tempo para descansar e viver para além do trabalho. 

“Isso é especialmente importante em áreas como a saúde e assistência social, onde o trabalho é físico e emocionalmente desgastante”, afirma. “Um trabalhador da saúde submetido a uma escala 6×1, muitas vezes passa praticamente toda a semana entre deslocamento, trabalho (inclusive, doméstico) e recuperação física para voltar ao serviço. Quando existe também trabalho em mais de um vínculo, essa situação se torna ainda mais pesada”.

Nota de transparência: Ferramentas de inteligência artificial foram usadas como apoio para a revisão desse material. Todo o conteúdo foi revisado e validado pela autora, que se responsabiliza integralmente pela apuração, pelas informações divulgadas e pelas decisões editoriais.

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Tags: Faculdade Ielusc indústria Joinville Primeira Pauta
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