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Às vésperas do encerramento do Setembro Amarelo, rede de apoio em Joinville reforça canais de ajuda 

 Às vésperas do encerramento do Setembro Amarelo, rede de apoio em Joinville reforça canais de ajuda 
Telefone 188 da acesso gratuito ao CVV em qualquer horário do dia ou da noite.
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Às vésperas do encerramento do Setembro Amarelo, rede de apoio em Joinville reforça canais de ajuda 

by Glauciane Atanazio 25 de setembro de 2026

Seunda edição do Pizza do Bem arrecada recursos para manter as atividades do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Joinville

À medida que a campanha Setembro Amarelo caminha para a sua reta final, a discussão sobre prevenção ao suicídio e cuidados com saúde mental em Joinville ganha um tom focado na importância de manter o apoio emocional na cidade. Com o objetivo de garantir a continuidade do atendimento gratuito e confidencial prestado à população, a comunidade se mobiliza para a segunda edição da Pizza do Bem, que acontece no próximo sábado (26). A arrecadação do evento é destinada ao Centro de Valorização da Vida (CVV) de Joinville, estrutura que em maio celebrou 12 anos de serviços ininterruptos no município. 

O posto local do CVV é mantido pelo Núcleo de Apoio à Vida de Joinville (Naville), associação privada sem fins lucrativos fundada em janeiro de 2014. Sediada no Centro, em anexo ao Samu, a instituição sobrevive exclusivamente de doações e da capacidade de mobilização da comunidade.

Diferente de uma venda beneficente comum, a Pizza do Bem funciona por meio de uma parceria com uma empresa que opera sob a lógica do terceiro setor. Idealizada pelo empresário Alvaro Moisés, a iniciativa promove eventos beneficentes para diversas instituições pelo país. “A gente entra financiando a produção antecipadamente para que a entidade parceira não tenha nenhum tipo de risco financeiro”, explica Alvaro. É uma espécie de “ação entre amigos”, em que a maior parte do ganho arrecadado com as vendas vai para o CVV, e uma pequena margem é retida pela empresa para sustentar a mão de obra da produção, gerando emprego e renda às famílias responsáveis pelo produto. A estrutura substituiu o antigo arroz carreteiro, evento tradicional que a Naville realizou por muitos anos em Joinville.

Mais do que arrecadar recursos, a mobilização visa sustentar uma rotina de escuta atenta e permanente. Os voluntários que atendem as chamadas passam por um longo período de treinamento. Um exemplo é Regina — por questões de sigilo e segurança ela prefere ser identificada somente pelo primeiro nome —, jornalista que começou a atuar como voluntária em 2021, após se aposentar. Ela se interessou pelo trabalho do CVV desde cedo, por influência de um tio que já fazia parte da instituição, e hoje divide seu tempo entre a vida pessoal e os plantões de escuta. Atende de forma on-line e segue plantões fixos, treinada para acolher quem está passando por um momento difícil sem levar o problema para a própria vida.

Onde buscar ajuda e o abismo entre o voluntariado e a rede pública

A importância de ações como a Pizza do Bem ganha dimensão diante dos números. Em 2024, Joinville registrou 52 mortes por suicídio — uma média de uma por semana —, além de 799 notificações de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas.

Os dados também mostram diferença entre os sexos: entre as mortes, os homens foram maioria, com 38 casos; já entre as tentativas, as mulheres lideraram, com 533 registros. Os números também chamam atenção entre jovens de 15 a 19 anos.

Segundo a Secretaria da Saúde, a cidade conta com rede de apoio psicológico e psiquiátrico formada por equipes de Saúde da Família e pelos Caps II Nossa Casa, Caps III Dê Lírios, Caps AD e Caps IJ, de “porta aberta”, sem agendamento prévio. Em risco imediato de morte, a orientação é procurar o Samu (192), uma UPA ou o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt.

Apesar de existir, a rede pública não dá conta de toda a demanda nem está integrada ao trabalho dos voluntários. CVV e Prefeitura atuam de forma separada, sem parceria formal: via e-mail, a Secretaria declarou apenas que realiza, todos os anos, suas próprias atividades de conscientização, com capacitações internas e materiais no site oficial, sem mencionar qualquer parceria com o posto do CVV.

Enquanto isso, quem trabalha no CVV sente essa demanda de perto. Segundo a voluntária Regina, “durante os plantões o telefone não para de tocar um minuto sequer”, sinal de que, mesmo com os serviços públicos disponíveis, muita gente ainda procura o CVV como opção para ser ouvido.

Joinville também conta, desde 2025, com a Política Municipal de Valorização da Vida e da Saúde Mental, criada pela Lei nº 9.876. A legislação prevê ações de promoção da saúde mental, prevenção da violência autoprovocada e ampliação do acesso à atenção psicossocial. Ainda assim, a procura constante pelo 188 mostra que existe uma distância entre os serviços públicos e a rede de apoio dos voluntários.

Nota de transparência: esta matéria contou com o apoio de inteligência artificial na organização das informações e na apuração de dados, com revisão da autora.

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Tags: Joinville Saúde saúde mental Setembro Amarelo suicídio
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