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Setembro Verde incentiva diálogo sobre doação de órgãos

 Setembro Verde incentiva diálogo sobre doação de órgãos
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Setembro Verde incentiva diálogo sobre doação de órgãos

by Caroline de Brito 27 de setembro de 2026

No Brasil, autorização dos familiares é necessária mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora

Hoje, dia 27 de setembro marca o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, data que reforça a importância de falar sobre um assunto que pode ser decisivo em um momento de luto, a vontade de doar. No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a autorização da família é necessária após a morte.

Por isso, mais do que decidir pela doação, é importante comunicar essa decisão aos familiares. É a partir dessa conversa que pais, filhos, irmãos, cônjuges e outros parentes próximos poderão conhecer a vontade da pessoa e tomar uma decisão diante de uma eventual situação de doação.

A campanha Setembro Verde amplia, ao longo do mês, a conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos e busca levar informação sobre o processo de transplante. A doação pode ocorrer em vida ou após a morte, e cada situação segue critérios específicos.

Em vida, é possível doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea, conforme critérios médicos e legais. Após a morte, a possibilidade de doação é avaliada de acordo com as circunstâncias do óbito e as condições clínicas do potencial doador.

Da identificação do doador ao transplante

A identificação de um potencial doador ocorre nos hospitais e envolve equipes especializadas. Nos casos em que há diagnóstico de morte encefálica, após a confirmação e o consentimento da família, uma equipe é mobilizada para realizar a captação dos órgãos. O nefrologista Marcos Alexandre Vieira, da Fundação Pró-Rim, explica que o processo é coordenado pela Central de Transplantes do Estado e envolve diferentes etapas de avaliação.

“Todo o processo de captação de órgãos é coordenado pela central de transplantes do Estado. A identificação de um potencial doador é realizada nos hospitais por equipes especializadas. A doação é realizada com o consentimento familiar quando tem o diagnóstico de morte encefálica.”

Depois da autorização, os órgãos são avaliados segundo critérios técnicos e legais e de acordo com a compatibilidade com os potenciais receptores.

“A central de transplantes realiza a avaliação de acordo com critérios técnicos, legais, de compatibilidade com os potenciais receptores dos órgãos. Após esta identificação, a equipe de transplantes entra em contato com o paciente e inicia a dinâmica para realizar a cirurgia do transplante”

O processo envolve uma rede de profissionais e instituições. Em Joinville, a Fundação Pró-Rim é referência nacional na área de transplantes renais e atua no atendimento de pacientes que aguardam por um novo rim. O Hospital Municipal São José também possui trajetória na área e atua na captação de órgãos e tecidos para transplantes no Estado.

Para a coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes do Hospital Municipal São José, Liliane Azevedo, a decisão de uma família pode representar uma nova oportunidade para quem aguarda por um órgão.

“A doação é um direito de todos os pacientes e/ou familiares, e doar é um dos maiores atos de amor. É ressignificar sua passagem junto à família, deixar um legado e dar a oportunidade para que outras pessoas possam viver.”

Segundo ela, a decisão de doar pode transformar a experiência do luto e possibilitar uma nova perspectiva para quem recebe um órgão.

“A doação é transformar a dor do luto em esperança. Através do sim de uma família à doação, temos a oportunidade de ouvir o receptor relatar que é seu renascimento, sua nova oportunidade de viver.”

Poster oficial da campanha de setembro verde da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos

Depois de mais de 10 anos de hemodiálise, Ruth recebeu um novo rim

Aos 58 anos, Ruth Ferreira dos Santos, moradora de Itapoá, conhece de perto a espera por um transplante. Ela passou mais de uma década em tratamento de hemodiálise antes de receber um novo rim, em 2024. Ruth tem doença renal policística, uma condição hereditária que provoca o desenvolvimento de cistos nos rins e pode comprometer o funcionamento dos órgãos. A doença também está presente em outros integrantes de sua família.

“A minha mãe faleceu, ela tinha problema de rim, estava em tratamento, eu tenho duas tias transplantadas. O meu irmão é transplantado, o meu primo é e essa semana ainda transplantou uma prima minha. A família toda tem problema de rins policísticos.”

Durante anos, Ruth precisou viajar três vezes por semana até Joinville para realizar a hemodiálise. Depois de retirar um dos rins, aguardou seis meses para retomar o processo de transplante. Quando entrou na lista de espera, esperou mais dois anos. Até que, em 2024, chegou a ligação que esperava. Ruth ainda estava na máquina de hemodiálise quando soube que havia um rim compatível.

“Eu estava doida para sair daquela máquina. Falei: eu quero.”

A recuperação não foi simples. Ruth enfrentou pneumonia, infecções bacterianas e outros problemas de saúde após o transplante. Ainda assim, o procedimento mudou sua vida e reforçou sua convicção sobre a importância da doação. Hoje, ela também é doadora de órgãos.

“Eu sou doadora de órgãos. Se você tem condições, por que não ajudar outro? É isso: alguém me deu um rim.”

A história de Ruth mostra o impacto que um transplante pode ter na vida de quem espera por um órgão. Para que outras pessoas também tenham essa oportunidade, o primeiro passo pode ser uma conversa simples, dizer à família, em vida, que existe o desejo de doar. No momento em que essa decisão for necessária, saber o que a pessoa queria pode fazer toda a diferença.

Mais informações relacionadas:

Site da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos

Vídeo da parceria entre Bolshoi e a Fundação Pró Rim em celebração aos mais de dois mil transplantes


Nota de transparência: ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio na revisão textual, organização da estrutura e adequação do conteúdo para busca. A apuração, seleção das informações, entrevistas, checagem e produção da reportagem foram realizadas pela repórter.

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Tags: Doação de órgãos Faculdade Ielusc familia Hospital Municipal São José Joinville Primeira Pauta PROFISSIONAISDASAUDE Saúde Setembro Verde transplante
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