Dia de Atenção à Gagueira reforça importância de empatia e escuta atenta
Transtorno neurolinguístico afeta fluência da fala e exige respeito, acolhimento e combate a preconceitos no cotidiano, na escola e na sociedade.
O Dia Internacional de Atenção à Gagueira, celebrado em 22 de outubro, reforça a urgência da empatia e do respeito às pessoas que convivem com essa condição. Caracterizada como uma falha neurolinguística no planejamento e na execução motora da fala, a gagueira surge na infância e possui caráter multifatorial, unindo aspectos genéticos, biológicos e ambientais. Embora não tenha cura, a intervenção fonoaudiológica precoce e o acompanhamento multidisciplinar são decisivos para evitar que o transtorno se cronifique na vida adulta.
A fonoaudióloga Ana Nascimento esclarece que a gagueira se distingue de hesitações comuns por apresentar disfluências típicas. Entre elas estão travamentos involuntários, prolongamentos de sons e concomitantes físicos — como piscar forte os olhos ou apresentar tensão na região cervical. A especialista desmistifica o mito de que “vai passar sozinho com o tempo”, alertando que essa espera atrasa o aprendizado de técnicas de enfrentamento, como o treino respiratório. “O pensamento flui normalmente e a pessoa não ‘pensa gago’; o bloqueio ocorre na coordenação motora para executar a fala”, explica Ana.

Para quem vivencia o transtorno, as atitudes alheias são o maior desafio. Henrique Gabriel Dalmora, de 20 anos, percebeu a gagueira aos seis anos. Ao longo da vida, enfrentou oscilações que se intensificaram na adolescência devido às exigências sociais e escolares, lidando com ansiedade e piadas. Embora tenha desenvolvido estratégias próprias para adaptar sua fala, Henrique ressalta que a interrupção precipitada por parte dos ouvintes ainda é uma das experiências mais dolorosas. “A pior coisa é quando você está falando e a pessoa te corta ou tenta adiantar a frase. As pessoas precisam ter mais empatia e escutar com calma”, desabafa o jovem.
Essa escuta paciente é fundamental também no ambiente escolar. A educadora Tatiane Dominoni enfatiza que a ansiedade e o medo do bullying podem comprometer o ritmo de fala e a inteligibilidade em apresentações. Tatiane destaca pesquisas que apontam comorbidades associadas, como distúrbios de aprendizagem e TDAH em crianças que gaguejam. Para garantir uma aprendizagem inclusiva, ela defende a conscientização nas turmas e a adaptação de avaliações orais — substituindo-as por trabalhos escritos ou apresentações em pequenos grupos, medida respaldada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Entidades como o Conselho Federal de Fonoaudiologia e a Associação Brasileira de Gagueira (Abragagueira) promovem campanhas para lembrar que a inclusão depende de dar voz a quem gagueja. O lema da Abragagueira resume esse compromisso: “Gagueira não tem graça. Tem tratamento”.
Respeitar o tempo de quem fala, sem completar frases ou demonstrar pressa, é o passo mais simples e transformador para construir uma comunicação genuinamente inclusiva.
Nota de uso de inteligência artifical: Para a produção desta matéria foi utilizado o NotebookLM para a transcrição das entrevistas para textos