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Quando o discurso de ódio ameaça a democracia em ano eleitoral

 Quando o discurso de ódio ameaça a democracia em ano eleitoral
4º Semestre Destaques Joinville e região Jornalismo Digital I Política

Quando o discurso de ódio ameaça a democracia em ano eleitoral

by Caroline Kolling 24 de outubro de 2026

No Dia da Democracia, a memória da ditadura militar e cenário eleitoral de 2026 reacendem o debate sobre discurso de ódio, desinformação e ameaças às instituições brasileiras.

Neste 25 de outubro, Dia Nacional da Democracia, a defesa das liberdades democráticas ganha relevância em meio à polarização política, à circulação de discursos extremistas e à disseminação de notícias falsas. Em 2026, ano de eleições gerais no Brasil, o cenário reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão, às ameaças às instituições e a preservação dos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988.

Nesse contexto, compreender os limites do discurso político exige considerar tanto as experiências autoritárias do passado quanto os desafios do presente. O respeito às diferenças, a responsabilidade na circulação de informações e a preservação das instituições são fundamentais para garantir que a liberdade de expressão e o direito à manifestação sejam exercidos sem comprometer os princípios democráticos e a ordem constitucional.

Memória histórica e ameaças à democracia

A história brasileira é marcada por períodos de autoritarismo e rupturas institucionais que ajudam a compreender os desafios da democracia no presente. O Dia Nacional da Democracia remete à morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar. O episódio tornou-se um marco da luta contra a repressão política e pela liberdade de expressão, evidenciando os riscos que o autoritarismo representa para os direitos fundamentais.

Ao analisar essa trajetória, o historiador Mário Cesar Ribeiro destaca o Estado Novo e a ditadura militar como períodos de ruptura democrática no país.

O Brasil experimentou o regime democrático apenas a partir de 1934, com Getúlio Vargas, porém durou pouco. Vargas forjou um falso plano comunista, Plano Cohen, alegando que os comunistas iriam invadir o Brasil e atentar contra sua vida, assustando a classe média e demais segmentos da população. O resultado foi a implantação do Estado Novo: autoritarismo que vigorou até 1945. Em 1964, os militares repetem o golpe, agora muito mais combatido por segmentos da sociedade e com uso de extrema violência, um sangrento golpe de Estado, que durou por 20 anos.

Mário Cesar Ribeiro, historiador

O Plano Cohen foi utilizado em 1937 como justificativa para o golpe que instaurou o Estado Novo. Já o golpe de 1964 deu início à ditadura militar, que durou até 1985.

O historiador também chama a atenção para o controle da informação durante o regime militar. “Na época, boa parte da população brasileira vivia desinformada dos acontecimentos nacionais, quer por meio da censura, quer por meio da desinformação”, lembra.

A memória desses períodos reforça a importância da liberdade de imprensa e do acesso à informação para a democracia. Se durante a ditadura militar a censura limitava a circulação de notícias, atualmente a desinformação e a intolerância política impõem outros desafios à formação da opinião pública. Embora os contextos sejam distintos, a reflexão sobre o passado ajuda a compreender a importância de garantir que a população tenha acesso a informações confiáveis e possa participar do debate político de forma consciente.

Liberdade de expressão, polarização e discurso de ódio

A diferença entre discordar politicamente e agir contra a democracia é central para compreender os limites do discurso público. Críticas a governos e instituições fazem parte da vida democrática, mas não devem ser confundidas com ameaças, violência ou ações destinadas a romper a ordem constitucional.

Para a historiadora e professora, mestre em história cultural pela UFSC, Valdete Daufemback, a divergência de opiniões não representa, por si só, uma ameaça à democracia.

Pensar diferente não é problema. A questão central é agir contrariamente à democracia, ao acesso à saúde, à educação.

A estudante de design Júlia, de 19 anos, que participou recentemente de uma manifestação que reuniu 5 mil pessoas em Joinville, também destaca a importância do respeito às diferenças. “A nossa liberdade acaba quando começa a do outro. Então a gente tem que sempre se respeitar, independente de tudo. Respeitar qualquer tipo de religião, sexualidade, enfim, em geral, opiniões políticas”, avalia.

Ao falar sobre os riscos dos discursos extremistas, a estudante acrescenta: “Eu acredito que tudo aquilo que é extremo, muito extremo, ele vai ferir as minorias, vai ferir as opiniões políticas de outras pessoas”.

A imagem apresenta uma colagem de fotografias de manifestações populares realizadas à noite, reunindo uma multidão de pessoas com bandeiras vermelhas, símbolos de movimentos sociais e cartazes com mensagens políticas. Os participantes demonstram apoio ao presidente Lula e defendem a democracia, expressando suas opiniões por meio de palavras de ordem e faixas. Entre os cartazes, aparecem frases como “1964 nunca mais”, em referência à ditadura militar brasileira, e mensagens de valorização da democracia e de repúdio ao autoritarismo.

A composição é organizada em recortes irregulares sobre um fundo de papel amassado, criando um efeito de mural documental. As luzes noturnas, a concentração de pessoas e a diversidade de cartazes evidenciam a mobilização coletiva e a participação política da população. No conjunto, a imagem transmite uma mensagem de resistência, memória histórica e defesa da democracia, destacando a importância das manifestações públicas como forma de expressão política e cidadã.

8 de janeiro e os ataques às instituições democráticas

Os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, representam um marco na discussão sobre os limites das mobilizações políticas no Brasil. Naquele dia, manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, atingindo instituições centrais dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

O episódio evidenciou a diferença entre o direito de protestar e ações violentas contra as instituições democráticas. Manifestações populares são instrumentos legítimos de participação política, mas não se confundem com invasões, depredações ou iniciativas voltadas à ruptura da ordem constitucional.

Valdete Daufemback chama a atenção para o papel da manipulação política nesse processo. “O risco está na manipulação”, afirma a historiadora, que também alerta para propostas que possam comprometer direitos conquistados.

A discussão sobre a preservação da democracia envolve, portanto, não apenas o direito de expressar posições políticas, mas também o respeito às regras constitucionais e ao funcionamento das instituições. Questionar decisões e cobrar mudanças são práticas democráticas, mas buscar impedir o funcionamento dos Poderes por meio da violência representa outra situação.

A imagem apresenta uma colagem de fotografias que retratam os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. As imagens mostram cenas de destruição, vidraças quebradas, móveis danificados, objetos espalhados pelo chão e instalações públicas vandalizadas. No centro, aparece uma fachada de vidro com a inscrição “Depredação dos Três Poderes”, acompanhada de uma escultura danificada e pessoas observando os estragos. Nas demais fotografias, destacam-se manifestantes vestidos de verde e amarelo, muitos com a bandeira do Brasil, além de uma faixa com os dizeres “Intervenção Federal”.

A composição utiliza recortes irregulares sobre um fundo de papel amassado, criando um efeito de reportagem e memória histórica. O conjunto transmite uma sensação de caos e destruição, destacando a gravidade dos acontecimentos e os danos causados ao patrimônio público, além de simbolizar um episódio marcante para a democracia brasileira.
Colagem reúne imagens dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Redes sociais e os desafios do debate eleitoral

A circulação de informações falsas nas redes sociais amplia os desafios do debate político em ano eleitoral. A velocidade de compartilhamento dos conteúdos e a disseminação de mensagens hostis podem dificultar a distinção entre fatos e opiniões e intensificar conflitos entre pessoas com posições diferentes.

Wilson, aposentado de 63 anos, defende que as discussões eleitorais sejam concentradas nas propostas dos candidatos: “O debate teria que ser de plano de governo, o que que vai fazer pelo povo, e não o ódio dominar pela rede social”.

Maria Caroline, de 45 anos, destaca a responsabilidade individual na divulgação de informações. Para ela, é necessário verificar os conteúdos antes de compartilhá-los, independentemente da posição política defendida: “Acho que isso é lealdade, é honestidade”.

Os depoimentos demonstram o papel da informação na vida política. Se, durante a ditadura, a censura limitava o acesso a acontecimentos nacionais, hoje a circulação de conteúdos falsos representa outro desafio para a formação da opinião pública, embora os contextos sejam distintos.

Em um ano de eleições, preservar a democracia exige garantir espaço para críticas, manifestações e divergências, sem ignorar a responsabilidade pelo que se divulga ou tolerar ações que ameacem os direitos fundamentais e as instituições. Mais do que evitar conflitos políticos, o desafio é assegurar que eles sejam enfrentados dentro das regras democráticas e da Constituição Federal de 1988.



Nota de transparência: A ferramenta ChatGPT foi utilizada para auxiliar na correção do texto, e melhora na estruturação. A apuração, a redação final e a responsabilidade editorial são da autora.

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Tags: 8 de janeiro bolsonaro Brasil Constituição Federal Democracia desinformação dia da democracia ditadura militar Eleição história Joinville liberdade de expressão lula manifestação manifestação pacifica memória ódio Politica violênica
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