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Lula vence eleição de 2026 após virada no segundo turno

 Lula vence eleição de 2026 após virada no segundo turno
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Lula vence eleição de 2026 após virada no segundo turno

by Karolina Galvão 28 de outubro de 2026

Congresso de oposição desafia o novo governo, enquanto especialistas e moradores de Joinville apontam prioridades para as políticas públicas

Com 51,79% dos votos válidos, correspondentes a mais de 64 milhões de votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  foi reeleito presidente do Brasil. A apuração terminou às 21 horas deste domingo (25), após o Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogar o horário de votação das 17 horas para as 19 horas em todo o Brasil. Lula foi eleito de virada no segundo turno da eleição presidencial, depois de ter ficado dois pontos percentuais atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

O segundo turno registrou mais de 30 milhões de abstenções, uma redução em relação ao primeiro, quando 33.468.233 eleitores aptos não compareceram. Santa Catarina registrou 4,6 milhões de votos válidos, sendo 362.178 de Joinville.

A votação no Sul do Brasil manteve apoio majoritário a Flávio Bolsonaro (PL) nos dois turnos da eleição presidencial. O candidato somou 62,58% dos votos no Paraná, 69,42% em Santa Catarina e 57,84% no Rio Grande do Sul. Os três estados da região elegeram seus governadores já no primeiro turno.

Na manhã de domingo o movimento foi tranquilo em um dos locais de votação no bairro Paranaguamirim.

Resultado nos estados

 Além da disputa presidencial, cinco estados e o Distrito Federal também elegeram seus governadores. Confira os governadores que assumem os estados brasileiros em 2027:

No Distrito Federal, Celina Leão do Progressista se elegeu no segundo turno.

Congresso Nacional e políticas públicas no governo Lula

A composição do Congresso será um dos desafios do novo mandato de Lula. O cientista político e mestre em comunicação política Elton Zattar Guerra, autor do livro Arquitetura da Mentira, avalia que a presença expressiva de parlamentares do Partido Liberal (PL) no Senado, pode dificultar a aprovação de propostas do governo.

Além de negociar com o Legislativo, Lula terá de lidar com um orçamento elaborado a partir das prioridades definidas anteriormente. O professor associado do curso de Ciências Econômicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc Esag) e integrante do Grupo de Pesquisa de Política Pública e Desenvolvimento – Callipolis, Marcello Beckert Zappellini, explica que a execução dos gastos públicos segue regras legais, o que limita as mudanças que podem ser feitas no início do mandato.

“Uma vez que o orçamento tenha sido aprovado, ele vira lei orçamentária. Embora nem tudo na lei orçamentária seja obrigatório cumprir, pelo menos no ano seguinte à eleição, o presidente eleito, mesmo que fosse de oposição, teria que cumprir a lei orçamentária sob pena de incorrer em crime de responsabilidade”, afirmou Zappellini.

marcello beckert zappellini, professor de ciências econômicas

Embora o orçamento imponha limites, o presidente pode propor mudanças nas prioridades de gasto, respeitando as regras legais. “O que pode acontecer é o presidente eleger algumas prioridades. Dizer: ‘corta recurso de determinada rubrica, mas coloque esse dinheiro na outra, que é mais importante para nós’. Isso pode acontecer”, explica o especialista. 

A continuidade das políticas públicas depende dos objetivos, das regras que as instituem e das decisões políticas e orçamentárias. Como exemplo, Zappellini cita o saneamento básico. O governo federal pode oferecer crédito e investir em municípios com menor cobertura de água e esgoto. Com a universalização do serviço, a política pode deixar de priorizar a expansão da rede e se concentrar na manutenção.

Embora Lula tenha sido reeleito, a implementação de suas propostas dependerá não apenas das prioridades definidas pelo Executivo, mas também da capacidade de construir acordos com os parlamentares. “O número de deputados e senadores que foram eleitos com uma bandeira marcadamente oposicionista acabou ficando maior”, comentou Zappellini.

Redes sociais e polarização política nas eleições

As redes sociais tiveram papel importante na disputa eleitoral, para além das campanhas nas ruas e dos debates televisivos tradicionais. Para Elton Guerra, a extrema direita brasileira aprendeu a explorar o funcionamento dessas plataformas. 

“Eles conseguiram entender a lógica do algoritmo das redes sociais, das Big Techs. E o que elas vendem? Atenção. Quanto mais tempo você ficar, mais tempo elas vão entender o teu raciocínio e vão te alimentar com novos vídeos”, explica Guerra.

Os algoritmos das plataformas podem reforçar bolhas informacionais ao recomendar conteúdos semelhantes aos que o usuário já demonstrou interesse em consumir. “Então, tu vai só girando a tela e cada vez mais sendo bombardeado com aquilo que você pesquisou”, acrescenta o autor.

Guerra avalia que parte da esquerda demorou a adaptar sua comunicação às redes sociais. “E a esquerda continuava ainda na década de 1980, em cima dos caminhões de som, discursando para uma pequena massa. A grande massa estava nas redes sociais”, afirma.

Na percepção do cientista político, as plataformas também alimentam a polarização entre a família Bolsonaro e Lula e o PT. “Isso vira um sinal de infinito porque um se retroalimenta do outro”, diz. Guerra considera que o bolsonarismo e o lulismo se fortalecem mutuamente e levanta a hipótese de que, sem essa oposição, a disputa presidencial poderia envolver outros nomes.

Desenvolvimento econômico de Joinville

Investimentos em infraestrutura e políticas industriais podem impulsionar a economia de Joinville, município com forte presença industrial e alcance internacional. Para Zappellini, direcionar recursos a regiões que já concentram atividade econômica pode ampliar a produção, a renda e a atração de trabalhadores.

“Então, economicamente falando, você investir na infraestrutura e no desenvolvimento dessas regiões que já são polos econômicos, significa você alavancar a produção dessas cidades, alavancar o enriquecimento, alavancar a renda da população e atrair trabalhadores de outros locais”, conta o professor.

Além da atividade industrial, indicadores sociais ajudam a dimensionar o desenvolvimento do município. Zappellini afirma que Joinville se destaca em relação a grande parte do país quando considerados o rendimento médio dos trabalhadores, as taxas de desemprego e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

A participação política, segundo o professor, deve continuar após a eleição. “Independente se você está do lado de um ou de outro, ganhou a eleição não é só se acomodar, tem que continuar cobrando”, concluiu.

Eleitores de Joinville apontam prioridades para o governo Lula

Saúde, segurança, educação e políticas sociais estão entre as prioridades apontadas por moradores de Joinville para o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, que começa em janeiro de 2027.

O eleitor Matheus Sarmento Vieira, 22, afirma nunca ter recebido benefícios como Bolsa Família ou Pé-de-Meia, mas defende o uso de recursos públicos para financiar programas sociais. “Prefiro que meus impostos sejam usados para pagar esses benefícios, sabendo que estou ajudando alguém em algum momento, mesmo que indiretamente”, diz.

Rapaz de 22 anos de jaqueta preta da ferrari está parado em frente a duas mesárias em sua seção de votação.
Eleitor Matheus não conseguiu transferir seu título de eleitor a tempo para uma zona de votação próxima de onde mora atualmente. Ele atravessou o município do bairro Nova Brasília para votar no Paranaguamirim.

Matheus temia possíveis privatizações da Petrobras, da Empresa Brasileira de Semicondutores (Ceitec S.A.) e dos Correios, caso Flavio Bolsonaro se elegesse, assim como aconteceu durante o governo de Jair Bolsonaro, com a privatização da BR Distribuidora, hoje chamada Vibra Energia.

Para o aposentado Ambrósio Pedro Ventura, 75, a presença policial no bairro é uma das preocupações. Ele relata não haver policiamento o suficiente na região onde mora. “Eu estou aqui com a minha esposa, Lídia, há três anos e meio e nunca vi um carro de polícia passar aqui na frente. Porque não é que não tem policial, se você vai na padaria, em cada uma tem no mínimo dois carros parados, de manhã e à tarde, para tomar café. Eles não vêm aqui, porque aqui não tem café pra dar”, relata.

Mulher e homens idosos sentados em sofa azul. Junto deles tem um cachorrinho preto.
O aposentado Ambrósio Pedro Ventura e Lídia, acompanhados do cachorro Tobi, relatam preocupações com o atendimento à saúde e os serviços públicos em Joinville.

O atendimento à saúde dos idosos também é ponto de atenção para Ambrósio. “A nossa população está envelhecendo. Dizem que o idoso tem preferência, mas para conseguir médico aqui no posto de saúde tem que sair cinco horas da manhã, ficar até oito horas na fila esperando para entrar em um encaixe e poder consultar”, conta o aposentado.

Além das dificuldades nos serviços públicos relatadas pelos moradores, a educação básica aparece entre os desafios para o novo mandato. Zappellini cita o desempenho do Brasil em avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e defende medidas para melhorar os ensinos fundamental e médio.

“Eu estava revisando dados do Pisa e percebi que a nossa educação é muito fraca, ela é muito ruim em relação aos países desenvolvidos. Então, um governo que deseje deixar a sua marca na educação, deveria já começar com uma série de medidas que pudessem melhorar o ensino básico, fundamental e o médio no Brasil”, defende.

Matheus espera que um novo mandato de Lula preserve direitos já conquistados e, se possível, avance nas pautas trabalhistas. Ele considera, porém, que a composição do Congresso pode limitar essas mudanças. 

“A minha expectativa com o governo Lula é manter o padrão que ele está seguindo agora. Talvez ter mais direitos trabalhistas. Eu sei que vai ser muito difícil porque, atualmente, o Congresso é basicamente formado pela direita, principalmente a extrema direita do PL. Então, talvez, lutar para manter os direitos que a gente já conquistou”.

Matheus Sarmento Vieira, 22 anos

As expectativas dos moradores refletem desafios que vão além da disputa eleitoral. A capacidade do novo governo de avançar em suas propostas dependerá também da relação com o Congresso e das decisões sobre políticas públicas que afetam o cotidiano da população.


Nota de transparência: ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio na revisão textual, organização da estrutura e adequação do conteúdo para busca. A apuração, seleção das informações, entrevistas, checagem e produção da reportagem foram realizadas pela autora.

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Tags: bolsonaro capa Educação Eleições Eleições 2026 Joinville Luiz Inácio Lula da Silva lula lula reeleito Politica
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