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Jovens transformam incerteza em engajamento político na reta final das eleições

 Jovens transformam incerteza em engajamento político na reta final das eleições
Jovens se manifestam em Joinville em prol da democracia. (Foto: Éter Morais/Primeira Pauta)
4º Semestre Destaques Joinville e região Jornalismo Digital I Política

Jovens transformam incerteza em engajamento político na reta final das eleições

by Aimêe Martins 25 de outubro de 2026

Com 10,5% das urnas em Joinville, eleitores de 16 a 24 anos protagonizam o debate eleitoral

Em 2026, Joinville conta com 441.735 eleitores aptos, e os jovens representam cerca de 10,5% do eleitorado da cidade, com 46.511 eleitores entre 16 e 24 anos. Desde o 1º turno, levantes populares, como uma manifestação que reuniu 5 mil pessoas em Joinville, protagonizados pela nova geração ocuparam a cidade e o país. O medo e a necessidade de ação se destacam como as causas principais das manifestações nas redes sociais e nas ruas.

O voto é facultativo para quem tem entre 16 e 17 anos e, em Joinville, esta faixa etária corresponde a 0,52% do eleitorado da cidade, com 2.306 jovens com título de eleitor. A estudante Rayane Oliveira, de 16 anos, nasceu em Brasília e mora em Joinville há 3 anos. Esta é a sua primeira eleição e, mesmo com o voto facultativo, decidiu votar. Rayane ressalta o poder da juventude, mas disse que muitos adolescentes não se interessam por política. Para a estudante, os jovens têm grande influência para as escolhas no país e gostaria que suas vozes fossem levadas mais a sério. “O meu maior receio é que as pessoas percam os seus direitos, percam a liberdade de ser quem são e amar quem quiser”, diz.

O eleitorado jovem é composto majoritariamente por mulheres (51,2%), assim como o resto do eleitorado joinvilense, segundo o TSE. A psicóloga Letícia Mazzuco aponta contradições na política do fenômeno de mulheres que votam em candidaturas contrárias aos próprios direitos femininos. Ela explica que enquanto algumas mulheres se conectam com o sentimento de ameaça e buscam pautas progressistas, outras tentam se proteger ou buscar validação, alinhando-se ao discurso dominante e opressor.

De acordo com o estudo da TransUnion, a Geração Z enfrenta os maiores desafios de poder de compra, salários iniciais menores e maior endividamento em comparação a gerações anteriores na mesma faixa etária. Para a psicóloga, a vivência da juventude tem sido marcada por crises sucessivas e pode levar a três diferentes caminhos: “o discurso individualista, a descrença absoluta [niilismo] e o terceiro caminho é a radicalidade.”

Ao chegar à vida adulta, a realização de problemas políticos também trazem questões sobre pertencimento, inclusive dentro da própria família. A atendente Hannykha Schusseller tem 19 anos, e diz ser normal ter opiniões diferentes na família. “Às vezes concordamos em algumas coisas e discordamos em outras, mas acredito que toda opinião deve ser respeitada”, completa.

Entretanto, para a psicóloga, quando o jovem diverge dos valores familiares, pode surgir uma crise existencial e de pertencimento, pois ele deixa de se identificar com a sua referência original. Os movimentos sociais permitem que os jovens encontrem pessoas com quem se identificam e ampliem suas redes de troca interpessoal.

Além das manifestações nas ruas, as redes sociais desempenham um papel importante nestas eleições e na vida dos jovens. O termo “psicose política” tomou conta da internet nas últimas semanas e representa o hiperfoco no debate eleitoral, e tem convertido sentimentos paralisantes em ação política. “Psicose seria mais algo como um deslocamento da realidade, mas é um sentimento muito lúcido o que a gente tá tendo agora”, afirma Mazzuco.

Independente do resultado das eleições, as mobilizações e conversas promovidas no período eleitoral são relevantes para o desenvolvimento da cidadania ativa de novas gerações. 

“A gente precisa entender que a luta tem sentido por ela mesma e que, independente do futuro, tudo que faço no meu presente em direção a esse futuro tem sentido por si só”

letícia mazzuco

*Nota de transparência: plataformas de IA foram usadas para a transcrição de entrevistas, organização de informações e elaboração de roteiro, com revisão. Texto e apuração feitos pela repórter.

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Tags: Eleições 2026 Joinville Juventude psicose política voto facultativo
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