Quanto custa morar na maior cidade de SC
Joinville é destaque por qualidade de vida, mas o custo de viver na cidade pesa no bolso de muitos moradores
Em meio a paisagens urbanizadas e uma economia industrial em expansão, Joinville foi eleita em 2025 como a cidade mais feliz do Brasil. O título, concedido pela revista Bula, destaca atributos que fazem do município um dos destinos mais atrativos para quem busca segurança, oportunidades de trabalho e qualidade de vida.
No entanto, por trás dos índices positivos, há uma realidade que impacta o orçamento de quem vive na cidade: o alto custo de vida. Com mais de 600 mil habitantes e um crescimento populacional acelerado, Joinville enfrenta aumento nos preços de produtos, serviços e, especialmente, da moradia.
Aluguéis pressionam o orçamento
O aumento da demanda por imóveis, aliado à dificuldade de expansão da oferta, tem encarecido a moradia. Aluguel, alimentação e transporte são os principais gastos que preocupam os moradores.
“De forma geral, acho o custo de vida em Joinville mais acessível do que em São José dos Campos (SP), mas isso não quer dizer que é barato viver aqui”, afirma Isabella Harumi Okamoto, que se mudou para a cidade em 2021. Moradora da Zona Norte, ela comenta que conseguiu alugar um apartamento apenas negociando diretamente com o proprietário. “As imobiliárias encarecem muito. O condomínio é simples, com garagem e salão de festas, mas os preços seguem altos.”
Segundo dados de mercado, o metro quadrado de aluguel em Joinville custa, em média, R$ 34,15. Quitinetes (20 a 30 m²) variam de R$ 683 a R$ 1.024,50; estúdios (35 a 45 m²) custam entre R$ 1.195 e R$ 1.536; apartamentos de dois quartos (60 a 80 m²) vão de R$ 2.049 a R$ 2.732; e unidades de três quartos chegam a R$ 3.756.
“Os bairros mais valorizados em Joinville são Atiradores, América, Costa e Silva, Anita Garibaldi e Saguaçu”, explica Felipe Eduardo da Silva Weber, corretor da imobiliária Zibell. “Quem busca aluguéis mais acessíveis deve considerar regiões como Paranaguamirim, João Costa, Morro do Meio e Jardim Paraíso.”
Alimentação, transporte e salário médio
Manter uma rotina na cidade requer planejamento financeiro. O salário médio formal, segundo o Censo do IBGE de 2022, é de R$ 3.393,60. A economista Anemarie Dalchau, professora da Univille, explica que a pressão da demanda eleva os preços. “A oferta de moradias não acompanha as necessidades das famílias. Isso pressiona os preços e não é exclusivo do setor imobiliário.”
A cesta básica em Joinville varia entre R$ 600 e R$ 800, enquanto o gás de cozinha custa de R$ 110 a R$ 133. Alimentos, transporte e saúde também refletem a alta dos preços. “Mesmo com uma renda de R$ 2 mil, muitas famílias gastam mais de 50% apenas com alimentação”, destaca Anemarie.
O transporte coletivo tem tarifa de R$ 6,25 (compra antecipada) a R$ 6,50 (embarcada). A gasolina comum está em R$ 6,44 e o etanol, R$ 4,55.
“Joinville é uma cidade que oferece qualidade de vida, mas isso vem acompanhado de um custo que nem sempre é leve”, comenta Isabella.
Planejamento financeiro é essencial
Para quem deseja se mudar para Joinville, a cidade oferece alternativas viáveis. “O mercado é mais acessível do que em cidades como Florianópolis ou Curitiba. Mas é preciso planejamento, principalmente para as classes C e D, que são as mais impactadas pela alta dos insumos e do crédito”, afirma Anemarie.
Segundo a economista Eliane Martins, quem recebe em torno de R$ 3,5 mil consegue pagar contas e ainda guardar um pouco, desde que controle gastos com lazer e consumo.
“O salário médio em empregos formais na cidade gira entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil, mas há uma parcela da população que vive de atividades informais, onde a renda costuma ficar na faixa dos R$ 2,5 mil a R$ 3 mil″, complementa Eliane.


Estilo de vida e infraestrutura
Joinville combina tradição e inovação, oferecendo ruas arborizadas, segurança e infraestrutura completa. Apartamentos modernos com espaços integrados, coworkings e áreas compartilhadas refletem as tendências do morar contemporâneo.
A cidade investe em tecnologia e inovação, atraindo profissionais conectados a um ambiente fértil para crescer. A psicóloga Raquel Tomasi destaca a relação entre infraestrutura e bem-estar. “Ambientes urbanos bem estruturados contribuem para a redução do estresse e aumentam o senso de pertencimento e a estabilidade emocional”, explica.
O custo elevado da moradia, da alimentação e do transporte é um lembrete de que qualidade de vida também depende de planejamento financeiro. Para muitos, viver em Joinville é um equilíbrio entre aproveitar os benefícios da cidade e manter o orçamento sob controle, um desafio que reflete a realidade econômica de muitas cidades brasileiras que combinam crescimento, infraestrutura e valorização imobiliária.