
Projeto de lei pretende substituir canudinhos de plástico por canudinhos biodegradáveis
A exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro, um vereador de Joinville quer proibir o uso de canudinhos de plástico em estabelecimentos comerciais. O projeto de lei nº 105/2018, de autoria de Fábio Dalonso (PSD), determina que sejam oferecidos “apenas canudos de papel biodegradável e/ou reciclável individualmente e hermeticamente embalados com material semelhante”.
A regra deve valer para restaurantes, lanchonetes, bares, barracas de rua, foodtrucks e até mesmo para vendedores ambulantes. Em caso de descumprimento, o projeto prevê o pagamento de multa, mas sem especificar a quantia em dinheiro.
Na justificativa do projeto, Dalonso afirma que os plásticos representam 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos e que 90% das espécies marinhas já ingeriram produtos feitos com o material ao menos uma vez na vida.
Em Itajaí, o vereador Thiago da Silva (PMDB) apresentou projeto de lei semelhante. Conforme o PL, “a cidade de Itajaí foi a primeira da América do Sul a assinar um compromisso com a ONU visando a limpeza dos mares”. Além do município, Florianópolis também possui um projeto com a mesma temática.
Confira no vídeo como os joinvilenses têm recebido o projeto de lei:
Especialistas comentam o projeto
Na avaliação do engenheiro ambiental Danilo Rafael Bastos, esse projetos seguem uma tendência mundial na busca pela diminuição dos resíduos no planeta. “Diversos países, principalmente na Europa, já aceitaram essa ideia e querem reduzir muito mais do que os canudinhos”, aponta.
Conforme Bastos, existem estimativas que apontam que cerca de 10 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos anualmente, sendo que desse número cerca de 100 mil toneladas são apenas de canudinhos. “Há uma carga plástica muito grande que chega para o consumidor e vira resíduo sólido. Essa é a maior preocupação: se não vai para a reciclagem, para onde está indo?”, questiona.
Para o engenheiro ambiental, o consumo exagerado de plástico passa por uma questão cultural que precisa ser desconstruída. “Temos que mudar o hábito do consumo rápido e aprender a reutilizar diversas coisas, não só o plástico”, sustenta.
De acordo com Christian Duarte, também engenheiro ambiental e membro do Coletivo Permacultura de Joinville, é preciso pensar a questão do plástico além dos canudinhos e estender o debate para a cadeia produtiva do petróleo, principal matéria-prima do plástico. “Temos que pensar, por exemplo, como está sendo feita logística do material biodegradável: ele vai vir de muito longe, vai usar quanto de petróleo?”, reflete.
No entendimento de Duarte, as demandas ambientais só são colocadas em pauta quando existe interesse político. “Alguns vereadores se aproveitam para fazer marketing verde e eleitoral. É claro que [substituir os canudinhos] faz diferença, mas a gente não vê esses vereadores fazendo algo para aumentar a reciclagem no município”, argumenta. “Temos que discutir uma auto suficiência regional, senão é como pegar um pequeno símbolo do plástico e se aproveitar.”
O engenheiro ambiental destaca que existem várias formas de reduzir o plástico utilizado no cotidiano, como parar de comprar produtos com muita embalagem, cozinhar sua própria comida e utilizar sacolas retornáveis. “A cada minuto da nossa vida, se a gente tiver um pensamento ambiental a gente consegue mudar muita coisa”, conclui.
Coletivo de Joinville contribui com a preservação da natureza
O Coletivo Ação de Limpeza Voluntária de Mangues, Praias e Rios de Joinville surgiu em 2015 e desde então promove intervenções para retirar resíduos da natureza. A ONG atua em quatro pontos da Baía da Babitonga: na Ilha do Morro do Amaral, no Parque Porta do Mar, na Praia da Vigorelli e em São Francisco do Sul, na Vila da Glória.
O projeto organiza as ações de limpeza a partir do segundo semestre do ano. De acordo com a idealizadora do projeto, Katia Baeta, é muito perigoso atuar durante o verão. “Nós somos um coletivo e não temos aparatos para socorrer voluntários que podem ser picados por algum animal peçonhento”, justifica.

Os eventos são marcados através do Facebook e contam com o apoio de rádios locais para ajudar na divulgação. Kátia conta, orgulhosa, que o grupo não desiste das ações mesmo que o tempo não colabore. “Nós não desistimos do dia que a gente marca, mesmo com chuva ou sol, não importa se tem 40 ou 12 pessoas, mas a ação é feita.”
A última limpeza ocorreu no dia 24 de junho, no Parque das Águas. Uma equipe formada por onze voluntários encheu oito sacos de lixo em cinquenta minutos. Foram recolhidos 1875 itens, entre eles bitucas de cigarro, tampinhas de garrafa PET, cacos de vidros, maços de cigarro e copos plásticos.
Em 2017, a ONG foi inserida no mapa mundial de limpeza dos mangues através da ONU Meio Ambiente, além de também fazer parte da Rede Praia Limpa Brasil. Através dessa parceria todo lixo recolhido é contabilizado e um relatório da coleta é enviado por e-mail para a ONU Meio Ambiente, que está montando um plano de ação de limpeza das águas do planeta.
10 fatos chocantes sobre o plástico
- Mais de 5 trilhões de peças de plástico já estão flutuando em nossos oceanos.
- Em todo o mundo, 73% dos detritos marinhos são plástico: filtros de pontas de cigarro, garrafas, tampas de garrafas, embalagens de alimentos, sacolas de supermercado e recipientes de poliestireno.
- A produção mundial de plástico aumentou exponencialmente de 2,3 milhões de toneladas em 1950 para 448 milhões de toneladas em 2015.
- Até 2050, praticamente todas as espécies de aves marinhas do planeta estarão comendo plástico.
- A partir de 2015, mais de 6,9 bilhões de toneladas de resíduos plásticos foram gerados. Cerca de 9% desse valor foi reciclado, 12% foi incinerado e 79% acumulado em aterros ou no meio ambiente.
- Em todo o mundo, quase 1 milhão de garrafas de bebidas plásticas são vendidas a cada minuto.
- As estimativas de quanto tempo o plástico dura variam entre 450 anos e para sempre.
- O maior mercado de plásticos hoje é o material de embalagem. Esse lixo é responsável por quase metade de todos os resíduos plásticos gerados globalmente – a maior parte nunca é reciclada ou incinerada.
- Cerca de 700 espécies de animais marinhos foram registradas até agora por terem comido ou ficado presas em plástico.
- Mais de 40% do plástico é usado apenas uma vez e depois jogado fora.
Fonte: National Geographic.
Por: André Lima, Jéssica Bett, Marília Comelli e Mayara Oliveira.
Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornalismo Digital II (2018)