Skip to content
Logo_PP_2@200x
  • Cultura
  • Economia
  • Esporte
  • Meio Ambiente
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Especiais
  1. Home
  2. Artigos
  3. Democracias morrem, mas deixam seus filhos e filhas
 Democracias morrem, mas deixam seus filhos e filhas
Artigos

Democracias morrem, mas deixam seus filhos e filhas

by Redação 19 de novembro de 2018

Sim, democracias morrem, mas sempre de morte matada, como definiu João Cabral de Melo Neto em Morte e Vida Severina.

Há duas formas conhecidas para se matar democracias. Uma delas é com golpes planejados nas entranhas do poder armado do Estado, com canhões e metralhadoras, como o fez Pinochet no Chile e os generais no Brasil, Argentina, Uruguai, Guatemala, Paraguai, Peru, República Dominicana, Gana, Nigéria, Grécia, Turquia, Tailândia e outras nações.

Outra forma de matar democracia, não é nova, mas está vigente nos tempos atuais, é quando a envenenam para que morra de-va-ga-ri-nho. O veneno deve produzir no sistema democrático uma reação auto imune, provocando uma luta da democracia contra si mesma. Os ingredientes do veneno são conhecidos: transformar políticos, partidos, imprensa, religiões, professores e pobres em inimigos da nação.

Quem envenena a democracia se coloca como salvador, tem o antídoto amargo necessário, mas como o veneno se dá no próprio seio da democracia, tal antídoto vai a voto popular. O importante é acabar com tudo e com todos que levaram a essa situação. Assim Hitler obteve 90% dos votos em 1933 para tornar-se führen da Alemanha, inclusive com votos dos Judeus.

A democracia no Brasil nunca chegou à maturidade, sempre morreu jovem. A última morte ocorreu com fuzis e baionetas, em 1964. Por mais de 20 anos seus filhos e filhas resistiram e ela ressurgiu. Assim mesmo, continuam os assassinatos de gente pobre, preta, e as torturas por “homens da lei”.

Neste 2018, ano em que a constituição completou 30 anos, a democracia está envenenada. Sentimentos de medo, típico de países que convivem com o terrorismo ou conviveram com o fascismo, já está no tecido social, e tendem a se agravar depois de 1o de janeiro. O inimaginável tornou-se real. Temos um defensor confesso de estupros e tortura como presidente da República, eleito pelo voto popular. Nunca um país chegou a tão baixa escala de valores.

Coube a nós, os filhos da democracia de nosso tempo, acolhermos os arrependidos, resistirmos e prepararmos a ofensiva civilizatória, contra a escuridão e a barbárie que se abaterá sobre todos, inclusive sobre quem escolheu o remédio para seus males, sem saber que estava tomando um veneno ainda pior.

Por: Marcio Cruz, educador popular, mestre em ciências sociais, consultor e pesquisador em políticas públicas.

Charge: Custódio

Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 143.

Share This:

Previous post
Next post

Leave a Reply Cancel reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados Matérias para você
Cultura

Femusc 2026 celebra 21 anos com formação intensiva e estreia histórica de sua primeira ópera brasileira

11 de fevereiro de 2026

 O festival reúne mais de 400 alunos de 21 países, promove cerca de 200 concertos gratuitos e apresenta Onheama, obra

Comportamento

Quando o bem-estar se torna mercadoria: o outro lado da indústria wellness

11 de dezembro de 2025

Com relatos, dados e especialistas, a reportagem expõe a engrenagem que transforma inseguranças em lucro e o caminho até o

6º Semestre

Uma janela para o mundo das aves

11 de dezembro de 2025

ESPECIAL Uma janela para o mundo das aves A observação de aves tem ganhado espaço em Joinville e atraído cada

SOBRE NÓS

História
Linha editorial
Arquivo
Faculdade Ielusc

Editoriais

Cultura
Economia
Esportes
Meio ambiente
Política
Saúde
Tecnologia
Especiais

Reticências

Podcasts
Artigos
Opinião
Outros

Redes Sociais

 Nos acompanhe nas redes sociais também

Primeira Pauta Primeira Pauta