Jovens transformam incerteza em engajamento político na reta final das eleições
Com 10,5% das urnas em Joinville, eleitores de 16 a 24 anos protagonizam o debate eleitoral
Em 2026, Joinville conta com 441.735 eleitores aptos, e os jovens representam cerca de 10,5% do eleitorado da cidade, com 46.511 eleitores entre 16 e 24 anos. Desde o 1º turno, levantes populares, como uma manifestação que reuniu 5 mil pessoas em Joinville, protagonizados pela nova geração ocuparam a cidade e o país. O medo e a necessidade de ação se destacam como as causas principais das manifestações nas redes sociais e nas ruas.
O voto é facultativo para quem tem entre 16 e 17 anos e, em Joinville, esta faixa etária corresponde a 0,52% do eleitorado da cidade, com 2.306 jovens com título de eleitor. A estudante Rayane Oliveira, de 16 anos, nasceu em Brasília e mora em Joinville há 3 anos. Esta é a sua primeira eleição e, mesmo com o voto facultativo, decidiu votar. Rayane ressalta o poder da juventude, mas disse que muitos adolescentes não se interessam por política. Para a estudante, os jovens têm grande influência para as escolhas no país e gostaria que suas vozes fossem levadas mais a sério. “O meu maior receio é que as pessoas percam os seus direitos, percam a liberdade de ser quem são e amar quem quiser”, diz.

O eleitorado jovem é composto majoritariamente por mulheres (51,2%), assim como o resto do eleitorado joinvilense, segundo o TSE. A psicóloga Letícia Mazzuco aponta contradições na política do fenômeno de mulheres que votam em candidaturas contrárias aos próprios direitos femininos. Ela explica que enquanto algumas mulheres se conectam com o sentimento de ameaça e buscam pautas progressistas, outras tentam se proteger ou buscar validação, alinhando-se ao discurso dominante e opressor.
De acordo com o estudo da TransUnion, a Geração Z enfrenta os maiores desafios de poder de compra, salários iniciais menores e maior endividamento em comparação a gerações anteriores na mesma faixa etária. Para a psicóloga, a vivência da juventude tem sido marcada por crises sucessivas e pode levar a três diferentes caminhos: “o discurso individualista, a descrença absoluta [niilismo] e o terceiro caminho é a radicalidade.”
Ao chegar à vida adulta, a realização de problemas políticos também trazem questões sobre pertencimento, inclusive dentro da própria família. A atendente Hannykha Schusseller tem 19 anos, e diz ser normal ter opiniões diferentes na família. “Às vezes concordamos em algumas coisas e discordamos em outras, mas acredito que toda opinião deve ser respeitada”, completa.
Entretanto, para a psicóloga, quando o jovem diverge dos valores familiares, pode surgir uma crise existencial e de pertencimento, pois ele deixa de se identificar com a sua referência original. Os movimentos sociais permitem que os jovens encontrem pessoas com quem se identificam e ampliem suas redes de troca interpessoal.
Além das manifestações nas ruas, as redes sociais desempenham um papel importante nestas eleições e na vida dos jovens. O termo “psicose política” tomou conta da internet nas últimas semanas e representa o hiperfoco no debate eleitoral, e tem convertido sentimentos paralisantes em ação política. “Psicose seria mais algo como um deslocamento da realidade, mas é um sentimento muito lúcido o que a gente tá tendo agora”, afirma Mazzuco.
Independente do resultado das eleições, as mobilizações e conversas promovidas no período eleitoral são relevantes para o desenvolvimento da cidadania ativa de novas gerações.
“A gente precisa entender que a luta tem sentido por ela mesma e que, independente do futuro, tudo que faço no meu presente em direção a esse futuro tem sentido por si só”
letícia mazzuco
*Nota de transparência: plataformas de IA foram usadas para a transcrição de entrevistas, organização de informações e elaboração de roteiro, com revisão. Texto e apuração feitos pela repórter.