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“Cidade das bicicletas” ainda é insegura para quem pedala 

 “Cidade das bicicletas” ainda é insegura para quem pedala 
4º Semestre Destaques Joinville e Região Jornalismo Digital I Segurança

“Cidade das bicicletas” ainda é insegura para quem pedala 

by Ana Lívia Lopes 27 de outubro de 2026

Acidentes com ciclistas crescem em Joinville, e a malha cicloviária tem menos da metade do que o Plano de Mobilidade previa para 2025 

Joinville é conhecida como a cidade das bicicletas. Apesar da fama, a cidade ainda possui falhas na estrutura cicloviária, e as ocorrências envolvendo ciclistas aumentaram cerca de 8% em 2026, comparando com o mesmo período de 2025, de acordo com o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville.

Atualmente, os principais tipos de acidentes com ciclistas são colisão com carro, com 351 casos em 2026 até agora, e queda por bicicleta, com 278 casos registrados. Incluindo as bicicletas elétricas, esses dois tipos de acidentes representam 74,8% dos casos de 2026.

O bairro com maior índice de acidentes com ciclistas é o Aventureiro, porém a rua em que eles mais ocorrem é a Rua Albano Schmidt, que corta o Boa Vista e o Comasa.

A faixa etária mais atingida é de 18 a 29 anos, e 66% são homens. Os dias da semana em que mais acontecem ocorrências envolvendo ciclistas são terça-feira, com 144 casos, e quinta-feira, com 133. Os dados foram contados do início do ano até o dia 22 de outubro.

A falta de ciclovias e ciclofaixas

O Plano de Mobilidade de 2015 previa ampliar a rede para bicicletas de 140 para 730 quilômetros entre 2015 e 2025. Porém, de acordo com dados de outubro de 2026, Joinville conta com apenas 285 quilômetros de estruturas cicloviárias. 

Apesar disso, a cidade passou de cerca de 145 para 285 quilômetros entre 2016 e 2026, e recebeu em 2022 o Selo Bright Cities – Cidades Inteligentes pela maior extensão em ciclovias e ciclofaixas do Brasil, com 32,59 quilômetros para cada 100 mil habitantes.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Joinville destacou que a meta estabelecida pelo PlanMOB, em 2015, funciona como diretriz de planejamento, porém a sua execução depende da disponibilidade de recursos e da realização de obras. Parte relevante dessas estruturas é implantada em conjunto com obras de pavimentação, drenagem e requalificação viária, pois depende da recuperação do pavimento e da sinalização das vias. 

Além disso, a execução dos planos de mobilidade urbana esbarra frequentemente na escassez e no lento fluxo de recursos a fundo perdido do Governo Federal destinados ao transporte ativo e coletivo. 

“Diante da limitação de repasses diretos da União, as prefeituras acabam dependendo dos endividamentos por meio de financiamentos e operações de crédito, além da execução vinculada a obras gerais de pavimentação e infraestrutura, para conseguir expandir suas redes cicloviárias e de transporte público. Esse cenário impõe um ritmo de avanço condicionado à capacidade de endividamento dos municípios e à estabilidade do cenário econômico ao longo dos anos.”

O medo de acidentes

A cozinheira da Apae Zeli Terezinha Boll, 59 anos, usou a bicicleta para ir ao trabalho durante 15 anos. Em 2021, sofreu uma colisão com uma moto e, em 2022, outra com um carro. Nos dois casos, ela estava na ciclofaixa. 

Zeli Terezinha Boll conta como foi os acidentes que sofreu de bicicleta enquanto ia ao trabalho

As ciclofaixas, diferentes das ciclovias, são pintadas no chão e não têm separação das ruas, então ciclistas e veículos motorizados dividem o mesmo espaço. “Não acho que o problema seja a falta de ciclovias. O problema é que os motoristas não respeitam, eles entram no espaço da bicicleta”, afirma Zeli.

De acordo com a Prefeitura de Joinville, a Escola Pública de Trânsito (Eptran) desenvolve ações educativas com diversos públicos, como alunos de CEIs, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, para educar os motoristas a respeito das regras de trânsito e cuidado com os veículos não motorizados.

Melhorias para aumentar a segurança dos ciclistas

O professor e mestre em Urbanismo, História e Arqueologia da Cidade, Charles Henrique Voos, explica que o ideal para a segurança dos ciclistas é um modelo de cidade compacta, em que as coisas estejam perto. “A bicicleta é para trajetos curtos e médios, e para trajetos longos seria necessária a conectividade com outros modais de transporte, como ônibus adaptados para colocar bicicletas.”

De acordo com o especialista, outras possíveis melhorias seriam a implementação do meio de transporte VLT, um transporte público urbano que circula em superfície, combinando a capacidade de carga de um trem ou metrô, com a flexibilidade de um bonde moderno, ou até mesmo a implementação da tarifa zero como uma política social e de direito à cidade para o transporte coletivo.

“Nós deveríamos seguir o que está prescrito no Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que é a prioridade de transportes não motorizados sobre os transportes motorizados. Ao invés de ficarmos fazendo pontes bilionárias, como o caso da ponte do Adhemar Garcia, imagina a quantidade de melhoria que poderíamos fazer para os ciclistas.”

charles henrique voos, mestre em urbanismo, história e arqueologia da cidade

O professor destaca que mais importante do que a quantidade de quilômetros das estruturas cicloviárias, é o planejamento de uma cidade que atenda as necessidades da pessoa que pedala.

Nota de Transparência: A ferramenta de inteligência artificial Claude foi utilizada para traçar dados através da análise de relatórios do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville e para apurar informações sobre o Plano de Mobilidade de 2015. As informações e análises foram devidamente checadas.

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Tags: Bicicletas ciclistas Ciclovias Cidade das bicicletas Estrutrura Cicloviária Joinville Segurança Pública
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